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Festival de Observação de Aves de Sagres reforça atividades de anilhagem científica

27.08.2026
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Uma das atividades do Festival em 2025. Foto: Wilder

O programa para a 17ª edição do Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza, que acontece em Sagres de 2 a 5 de outubro, já está disponível. Uma das novidades deste ano é o reforço das atividades de anilhagem científica, revelam os organizadores.

As inscrições para as atividades abrem um mês antes da abertura de portas daquele que é considerado o maior festival dedicado às aves e à natureza em Portugal.

Na edição do ano passado, de 2 a 5 de outubro, acorreram à vila algarvia de Sagres, situada na ponta sudoeste do Algarve, um total de 1244 pessoas de todas as idades, de 34 nacionalidades.

Durante o Festival foram observadas 148 espécies diferentes de aves. A organização destacou como espécies mais “interessantes” o borrelho-ruivo (Eudromias morinellus), migrador de passagem; a sombria (Emberiza hortulana); o tartaranhão-caçador (Circus pygargus), espécie Em Perigo em Portugal; a pardela-preta (Ardenna grisea), outro migrador de passagem; o sisão (Tetrax tetrax), espécie Criticamente Em Perigo em Portugal; e o bútio-vespeiro-ocidental (Pernis apivorus).

Agora, o evento está de volta.

A partir de 2 de setembro pode inscrever-se nas atividades em que deseja participar, consultando o programa aqui.

“Ao longo de quatro dias, visitantes de todas as idades e níveis de experiência poderão usufruir (…) de um programa diversificado, pensado para miúdos e graúdos”, segundo um comunicado da Câmara Municipal de Vila do Bispo e da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA/Birdlife).

Este ano, os organizadores decidiram reforçar as atividades de anilhagem científica, “que têm invariavelmente esgotado em edições anteriores”.

Assim, em 2026 o Festival “estende a colaboração a uma terceira equipa de anilhagem científica a atuar num novo local, respondendo assim ao desejo dos inúmeros participantes que querem conhecer melhor esta prática e aproveitar a oportunidade de um contacto mais próximo com as aves”.

O festival reforça ainda a sua oferta de iniciação à observação de aves, tanto para famílias como para adultos. 

Para os mais novos, há propostas especialmente pensadas para despertar a curiosidade e o encanto pela natureza, como a sessão Isto é um inseto?, o atelier Ovos musicais, o conto cantado Corrupio e o convite a criar um Álbum de maré

 A programação artística também se expande nesta edição, com mais oficinas de arte no campo, saídas fotográficas dedicadas a novos temas (como por exemplo, borboletas noturnas) e convites a explorar, meditar e ligar-se à natureza através do som.

O programa inclui ainda uma ação de limpeza de praia no Martinhal em parceria com os voluntário do projeto GEA, e uma palestra dedicada às interações de orcas com embarcações.

Além das novidades, o Festival mantém os seus clássicos para os visitantes desfrutarem da melhor forma do espetáculo da migração outonal, que por aqueles dias transforma a região de Sagres num ponto de passagem de milhares de aves que rumam a sul para passar o inverno.

Poderá escolher entre saídas de observação de aves em terra e no mar, caminhadas e passeios.

Este ano, a espécie em destaque é a torda-mergulheira (Alca torda), uma ave marinha que ocorre nas águas portuguesas sobretudo durante o outono e o inverno.

Torda-mergulheira (Alca torda). Foto: Chme82/WikiCommons

“Excelente mergulhadora, alimenta-se de pequenos peixes e pode ser observada ao longo da costa durante a migração e a invernada. A escolha desta espécie lembra também os desafios enfrentados pelas aves marinhas, nomeadamente a captura acidental em artes de pesca, sublinhando a importância do trabalho de conservação”, escrevem os organizadores do Festival.

O Festival é organizado pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, em parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-BirdLife) e a Associação Almargem. A 17ª edição é patrocinada por Nadara, Intermaché Sagres e Salema Ecocamp.

Realizado anualmente desde 2008, este Festival celebra a diversidade da avifauna que atravessa o Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina durante a migração outonal.

Sagres, no extremo sudoeste de Portugal, é um dos pontos de observação de aves mais importantes da Europa, concentrando anualmente milhares de aves migradoras provenientes do norte e centro do continente europeu.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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