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Comunidades europeias de aves costeiras mostram sinais de recuperação, revela estudo

02.12.2025
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Gaivotas nas costas espanholas. Foto: Carlos Cano-Barbacil

Mais de 56.000 observações de aves costeiras ao longo de quase 70 anos nos mares Báltico, do Norte e Mediterrâneo Ocidental confirmam que as comunidades destas aves estão a recuperar, revela um novo estudo.

Os resultados desta investigação, na qual participa o Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC) juntamente com numerosos investigadores espanhóis, mostram aumentos médios de 1,7% no número de espécies e de 2,7% no número de indivíduos.

As melhorias observadas estão associadas a políticas ambientais mais rigorosas e a ações que promovem a recuperação de habitats, a criação de áreas protegidas ou a proibição da caça.

Contudo, segundo o artigo científico publicado a 26 de novembro na revista Global Change Biology, a recuperação destas comunidades de aves não tem sido homogénea.

De facto, em 5% das zonas estudadas, a riqueza de espécies continua a diminuir e em 13% das restantes o número de indivíduos mantém-se em recessão.

“A recuperação também foi irregular ao longo do tempo”, comentou Carlos Cano-Barbacil, investigador do MNCN e autor do estudo. “No mar Báltico, a melhoria mais acentuada ocorreu entre 1990 e 2015, com aumentos notáveis no número de espécies e na abundância. No mar do Norte, com menos dados disponíveis, as populações parecem mais estáveis. Pelo contrário, no Mediterrâneo Ocidental, a melhoria deu-se principalmente entre 1970 e 1990 e, posteriormente, essa tendência estagnou.”

A relevância das aves costeiras

As aves que podemos ver em praias, falésias, estuários e pequenas ilhas têm um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas costeiros e marinhos.

Mas a verdade é que são também um dos grupos mais ameaçados pela sobreexploração dos mares, poluição, alterações climáticas, perda de zonas de nidificação e por espécies invasoras como ratos ou gatos.

Os resultados do estudo confirmam que as políticas europeias, como a Diretiva Aves e a criação de áreas protegidas, têm dado frutos.

No entanto, os autores alertam que persistem ameaças como a transformação dos litorais, a sobrepesca, a poluição, as espécies invasoras ou as alterações climáticas.

“Estas aves são indicadores da saúde dos ecossistemas e a sua recuperação em alguns locais é o resultado de décadas de esforços de conservação, mas não podemos baixar a guarda”, alertou Cano-Barbacil.

Recolha de dados

A equipa reuniu dados entre 1957 e 2024 e aplicou modelos estatísticos para avaliar mudanças na riqueza e diversidade de espécies, bem como na abundância de indivíduos. Além disso, analisou o efeito das áreas protegidas e comparou as tendências das comunidades de aves em época de reprodução e no inverno, apoiando-se a investigação em bases de dados europeias e censos nacionais.

Este trabalho faz parte do projeto europeu MARCO-BOLO (MARine COastal BiOdiversity Long-term Observations), no qual participa o instituto Senckenberg da Alemanha. As universidades de Múrcia, Valência e Autónoma de Madrid, assim como o CEAB-CSIC, contribuíram com dados de censos de aves da costa mediterrânica espanhola para este estudo.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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