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Cedro de Torres Vedras eleito Árvore do Ano de Portugal

12.01.2026
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Cedro de Runa. Foto: UNAC

Com 75 anos, o cedro conhecido como Cedro da Igreja de Runa, foi eleito a Árvore do Ano 2026 de Portugal, de entre 51 árvores que se candidataram a esta edição do concurso.

O cedro, que obteve um total de 3080 votos no concurso Árvore do Ano Portugal, foi plantado no início dos anos 1950 pelo Sr. Alfredo junto à igreja da freguesia de Runa, concelho de Torres Vedras.

Cedro de Runa. Foto: UNAC

“Inicialmente frágil e amarelado, foi cuidadosamente protegido pelo seu plantador, conseguindo sobreviver contra todas as expectativas”, escreve, em comunicado, a União da Floresta Mediterrânica (UNAC), entidade que organiza este evento em Portugal.

“A árvore testemunhou partidas e regressos, celebrações e silêncios, afirmando-se como ponto de encontro da saudade e dos abraços de gerações de runenses.”

Segundo a Junta de Freguesia de Runa, promotora da candidatura, o cedro “merece afirmar-se como símbolo da aldeia de Runa e do concelho de Torres Vedras”.

Cedro de Runa. Foto: UNAC

O Cedro da Igreja de Runa foi a única proposta da região Oeste a chegar à fase final da votação nacional, numa edição que reuniu um total de mais de 18 mil votos do público.

Em segundo lugar na classificação ficou a Árvore da Borracha Australiana, de Ponta Delgada, nos Açores (com 2890 votos), e em terceiro a Canforeira da ESAC, de Bencanta, em Coimbra (com 1901 votos).

Esta é uma iniciativa que se integra na competição Árvore Europeia do Ano, que distingue árvores com histórias marcantes e promove a ligação entre a natureza e as comunidades locais.

Enquanto vencedora nacional, o Cedro de Runa irá agora representar Portugal na fase europeia do concurso, que decorre em fevereiro, competindo com as árvores eleitas nos restantes 15 países participantes.

O concurso Árvore do Ano é dinamizado anualmente desde 2011 pela Environmental Partnership Association e tem como missão valorizar as árvores enquanto património natural e cultural da Europa, destacando os serviços de ecossistema que prestam.

A competição não distingue a árvore mais bonita, mas sim aquela cuja história está mais profundamente enraizada na comunidade onde se encontra e na vida dos seus habitantes.

A vencedora portuguesa de 2025 foi a Figueira dos Amores, os Jardins da Quinta das Lágrimas em Coimbra, tendo conseguido 2713 votos. Esta Figueira da Austrália plantada no século XIX acabou em segundo lugar na votação a nível europeu.

Desde 2018, Portugal tem eleito espécies características dos sistemas agroflorestais mediterrânicos que têm ficado entre o 1º (sobreiro assobiador, em Palmela) e o 6º (Castanheiro de Vales) lugares do concurso europeu.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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