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Arrábida torna-se Reserva da Biosfera, uma das 785 em todo o mundo

29.09.2025
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Foto: Sanjorgepinho/Wiki Commons

A aprovação da candidatura foi divulgada este sábado pela UNESCO, juntamente com o anúncio de outras 25 novas reservas na mesma rede, incluindo São Tomé e Príncipe e também em Angola.

De acordo com a UNESCO, as 785 Reservas da Biosfera que estão hoje classificadas “salvaguardam alguns dos mais ricos e frágeis ecossistemas do planeta”, servindo de abrigo a uma importante fatia da biodiversidade mundial: mais de 60% das espécies de vertebrados terrestres, 12% dos mangais mapeados, 10% dos sapais e 8% das pradarias marinhas do mundo.

“Com quase 30 novas designações este ano, a nossa Rede Mundial de Reservas da Biosfera alcançou uma meta importante, protegendo agora 5% do planeta”, considerou Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, acrescentando: “Dentro destas reservas, novas formas de equilibrar a conservação da natureza com modos de vida sustentáveis estão a ser forjados todos os dias.”

Quanto à Serra da Arrábida, passa a ser a 13ª Reserva da Biosfera em Portugal, juntando-se a áreas como o Paul do Boquilobo (a primeira assim classificada no território português, em 1981); a ilhas açorianas do Corvo, Flores e Graciosa; as fajãs da ilha de São Jorge, no mesmo arquipélago; Santana, na ilha da Madeira; Berlengas e também Castro Verde, entre outras.

A candidatura foi apresentada em 2024, pela Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), que coordenou o processo, pelas Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal e pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

O Comité Consultivo acolheu favoravelmente a proposta de Portugal, afirmando que “apresenta uma paisagem diversificada caracterizada pela Serra da Arrábida e um rico ecossistema marinho”. Releva na sua recomendação “as mais de 1400 espécies vegetais – que representam 40 por cento da flora portuguesa – incluindo 70 espécies raras e endémicas” e destaca a “fauna diversificada, com 200 espécies de vertebrados e mais de 2000 espécies marinhas”.  

É valorizado o seu Plano de Ação, que “define objetivos de conservação, desenvolvimento e resiliência climática, alinhados com o Plano de Ação de Lima e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas”. 

Ainda assim, mantêm-se desafios ambientais como o da cimenteira da Secil, cuja atividade é contestada desde há muito, incluindo pela LPN – Liga para a Proteção da Natureza.

Entre as restantes 25 novas Reservas da Biosfera que foram anunciadas também pela UNESCO, conta-se o arquipélago de São Tomé o Príncipe, “que se torna o primeiro Estado a ter todo o seu território designado como reserva da biosfera”, indicou a agência especializada da ONU, em comunicado. Em Angola, a Reserva da Biosfera da Quiçama foi também designada, passando a ser a primeira área desta rede naquele país africano.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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