Açude vai ser removido no rio Alviela para restaurar a natureza

07.12.2022
Foto: GEOTA

Os trabalhos de reabilitação num troço de 100 metros do rio Alviela começaram esta semana e a remoção do açude está prevista para a segunda semana de Dezembro, foi hoje anunciado.

A intervenção de reabilitação fluvial surge no âmbito do projecto Rios Livres GEOTA, cujo objectivo é promover uma estratégia nacional de remoção sistemática de barreiras obsoletas.

Os trabalhos incidirão num troço de 100 metros do Rio Alviela, cujas margens pertencem aos concelhos de Santarém e Alcanena.

Foto: GEOTA

As barragens, os açudes e outras barreiras servem diferentes propósitos, como o de irrigação, de abastecimento de água para consumo humano, e de produção elétrica. “Embora estas barreiras tragam importantes benefícios às populações, constituem também uma das maiores ameaças aos ecossistemas ribeirinhos”, segundo o GEOTA. “Impedem o fluxo natural de água, de espécies de água doce e de sedimentos, sendo as principais causadoras do declínio de peixes migratórios e da erosão costeira, retendo os sedimentos que iriam alimentar naturalmente as nossas praias.”

Ana Catarina Miranda, coordenadora do Projeto Rios Livres GEOTA, explicou que “o Projeto Rios Livres GEOTA tem como missão promover, proteger e restaurar os rios portugueses, em prol da natureza e das pessoas. Um dos nossos objetivos é promover a reabilitação dos ecossistemas ribeirinhos com foco na melhoria da conectividade fluvial. Rios em bom estado ecológico e mais livres de barreiras são essenciais para a conservação dos nossos recursos hídricos e para mitigar os efeitos das alterações climáticas e da seca”.

Segundo esta responsável, “a remoção deste açude do rio Alviela tornou-se uma prioridade do projeto Rios Livres GEOTA não só pela importância do restauro fluvial do rio Alviela, mas sobretudo por este ser um primeiro passo na promoção de uma Estratégia Nacional de Remoção de Açudes Obsoletos”.

Foto: GEOTA

Esta intervenção de reabilitação fluvial, idealizada e coordenada pelo Projeto Rios Livres GEOTA, foi financiada pela Fundação MAVA e conta com a intervenção e colaboração da E Rio, dos municípios de Santarém e Alcanena, da Agência Portuguesa do Ambiente e da população local.

A Comissão Europeia estima que existam na Europa 150 mil barreiras obsoletas, ou seja, não têm qualquer uso, valor económico ou função social. “Em Portugal, estima-se a existência de 13 mil barreiras nos nossos rios, muitas das quais obsoletas”, segundo o GEOTA.

A Estratégia para a Biodiversidade, incluída no Pacto Ecológico Europeu, tem como objectivo libertar de barreiras 25 mil quilómetros de rios europeus. “No entanto, ao contrário de muitos outros países, Portugal não possui um programa nacional de remoção sistemática de barreiras obsoletas.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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