PUB

Para fazer: ver grous em Campo Maior em dezembro

28.11.2025
leitura de 2 minutos
Grous. Foto: Tauri Parna/Wiki Commons

A VIII edição do Festival dos Grous já tem datas marcadas. Este ano acontece nos dias 6 e 7 de dezembro para o público em geral e de 10 a 12 de dezembro para a comunidade escolar, anunciou o GEDA (Grupo de Ecologia e Desportos de Aventura), associação sediada em Campo Maior.

No sábado, dia 6, o ponto de encontro é às 08h00 em Ouguela, junto às antigas Escolas primárias.

A Observação de Grous aves estepárias acontece das 8h30 da manhã até às 12h30. A partir dessa hora será servido o almoço. De tarde, será inaugurada a exposição “Entre Lentes e Asas”, da autoria do jovem campomaiorense Miguel Florentino.

Logo de seguida, a partir das 15h00, decorrerão as Jornadas Técnicas. Aqui vai-se falar da reprodução do alcaravão no sudoeste ibérico, como pode o GPS ajudar espécies ameaçadas, boas práticas nas pastagens para a conservação das aves e dicas para uma arquitetura amiga das aves.

No domingo, a caminhada Percurso dos Grous será percorrida pela manhã, às 07h00, num dia em que o ponto de encontro é o Centro Ambiental do Xévora. No final da caminhada haverá almoço com degustação de produtos regionais. Às 15h00 haverá observação de grous junto ao rio Guadiana.

Segundo o ornitólogo Gonçalo Elias, o grou é uma grande ave pernalta, do tamanho de uma cegonha, com um longo pescoço. A plumagem é predominantemente cinzenta. O pescoço é preto e branco e na coroa pode ver-se uma pequena mancha vermelha. Destaca-se também o enorme tufo de penas sobre a cauda. As penas de voo são muito escuras, quase pretas. Os seus chamamentos podem ser ouvidos a grande distância.

“Os grous ocorrem quase exclusivamente no Alentejo, havendo quatro áreas principais de ocorrência: uma na zona de Campo Maior; outra na planície de Évora; uma terceira na margem esquerda do Guadiana, entre Mourão e Moura; e por fim na região situada entre Mértola e Beja. Estas aves frequentam campos de restolho e terrenos recentemente semeados, mas, à medida que o Inverno avança, começam a preferir montados de azinho abertos, onde se alimentam de bolotas.”

Ao longo das últimas décadas, a população de grous que inverna no nosso país tem vindo a aumentar consistentemente, tendo passado de cerca de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para mais de 10 mil na actualidade.

O VIII Festival dos Grous é uma iniciativa do GEDA em parceria com o Município de Campo Maior, enquadrado no projeto Eurobird, apoiado pelo Interreg através do FEDER, em período pós-financiamento.

João Sanguinho, do GEDA, explicou anteriormente à Wilder que este Festival tem como objetivos “promover a conservação da natureza, da biodiversidade e, em particular, da avifauna, assentes num modelo de sustentabilidade que considera a educação ambiental, a cooperação transfronteiriça, o turismo e o desenvolvimento local”.

O Festival é feito a pensar em vários tipos de pessoa. “Desde o experiente observador de aves, ornitólogo ou investigador, até ao praticante de pedestrianismo, passando pela comunidade escolar, séniores institucionalizados e pessoas com deficiência, que aqui têm a oportunidade de desfrutar da natureza, com condições de acessibilidade”, explicou João Sanguinho.

E além dos grous, há muitas outras espécies de aves que podemos observar durante este Festival. “Nas extensas zonas de montado e estepe é possível observar abetarda, sisão, cortiçol-de-barriga-preta, alcaravão e diversas aves de rapina e necrófagas a cruzar os céus.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca