Os olhos de um saguim-bicolor ou a imponência silenciosa de um tigre continuam a captar a atenção dos lisboetas. A exposição “Emoções em Perigo”, do fotógrafo britânico Tim Flach, foi prolongada até 25 de maio, depois de uma forte adesão do público no Parque das Nações.
Instalada ao ar livre desde 15 de abril, na Alameda dos Oceanos, junto ao Pavilhão de Portugal, a mostra reúne 34 retratos de animais ameaçados de extinção. Estas imagens aproximam o visitante de espécies que muitos apenas conhecem através de documentários ou notícias sobre perda de biodiversidade.

A exposição chegou a Lisboa depois de ter sido vista por mais de 306 mil pessoas em Espanha, numa iniciativa promovida pela ABANCA Portugal, em colaboração com a Afundación e a Câmara Municipal de Lisboa.
Ao contrário da clássica fotografia de vida selvagem, Tim Flach opta por retirar os animais dos seus habitats naturais. Os fundos neutros e o enquadramento aproximam as imagens do retrato humano tradicional.
Mais do que mostrar espécies raras, o fotógrafo procura individualizar cada animal, destacando expressões, olhares e texturas. O resultado é uma espécie de encontro cara a cara entre visitante e animal.

Cada fotografia é acompanhada por informação baseada em dados da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), incluindo o grau de ameaça e as principais pressões sobre cada espécie.
O sucesso da exposição mostra também uma crescente atenção pública às questões ambientais, num momento em que a perda de biodiversidade se tornou um dos principais desafios globais.
A mostra quer levar o debate sobre conservação para fora dos museus e instituições científicas. Entre turistas, famílias e trabalhadores que passam diariamente pelo Parque das Nações, a exposição pretende transformar um percurso urbano numa experiência de reflexão sobre a relação entre humanos e natureza.
Num tempo em que os números sobre extinção podem parecer abstratos, “Emoções em Perigo” quer apostar noutra linguagem: a da empatia.