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Como tranformar uma área ardida num bosque nativo?

28.08.2025
leitura de 2 minutos
Foto: Joana Bourgard/Arquivo

Conheça os conselhos dados pela associação Plantar Uma Árvore que, há 13 anos, junta milhares de voluntários que estão a criar bosques de espécies nativas em Portugal.

É um “cuidador de florestas” ou conhece quem seja? Gostávamos de contar a sua história. Envie as suas sugestões para [email protected]

A nossa experiência de terreno até ao momento tem sido, maioritariamente, a recuperação de áreas não ardidas que se degradaram, por exemplo, por causa da agricultura intensiva, da desflorestação e abandono seguido por povoamento com invasoras.

Acreditamos que se as intervenções forem feitas com consistência é possível potenciar a prevenção do risco de incêndios de forma significativa.

Depois da passagem de fogo, é essencial primeiro avaliar os danos e, então, definir estratégias para intervir de acordo com o contexto local, que não passarão necessariamente por plantar logo de seguida. 

A prioridade numa área ardida é preservar o solo que, com a combustão, ganhou impermeabilidade (a camada de cinzas é hidrófuga) e perdeu estrutura para se proteger da erosão ao estar exposto com menos/nenhuma vegetação atual com parte aérea e/ou raízes subterrâneas.

Para proteger o solo no imediato deve ser colocado mulching com vegetação seca fina disponível do terreno (capim, fetos, tojo, folhagem ardida, ou outros). Pode-se também triturar a madeira ardida e converter em estilha para cobrir o solo. Com ambas as camadas cria-se textura no solo que o irá proteger de ventos e potenciar a infiltração das primeiras chuvas.

Por outro lado, esta cobertura irá decompor-se com o tempo, enriquecer em nutrientes e potenciar a regeneração das raízes da vegetação que tenha resistido e que, normalmente, é a mais resiliente nos primeiros anos.

Em terrenos inclinados poderá ser útil criar barreiras à cota de nível com os troncos ardidos, principalmente se houver linhas de água nas proximidades, para diminuir o risco de contaminação com as cinzas e perda de solo no local. 

Depois, poderá ser útil combinar a sementeira de prado – para potenciar a recolonização rápida do solo com vegetação e floração para os polinizadores – com a plantação de mais arbustos e menos árvores nos primeiros dois anos. A partir do terceiro ano, consoante o sucesso de repovoamento do solo, poderá haver condições para aumentar a densidade de árvores em solo que esteja mais estruturado e com sombreamento.

A escolha das espécies irá depender muito da ecologia do local. Mas, por exemplo, espécies como os medronheiros, os adernos, sanguinhos-das-sebes, murtas e, em menor quantidade, os vários carvalhos, freixos ou pilriteiros, podem ser escolhas interessantes.

Para a escolha das espécies aconselhamos sempre reconhecer no terreno as que já existem e a consultar plataformas como a Flora-on para ter uma referência do que é mais comum de encontrar na região. 


Série Wilder Cuidadores de Florestas

Inspire-se nesta série que criámos para si, para lhe mostrar os portugueses que estão a cuidar das florestas ao longo de todo o ano, para lhe mostrar as florestas nativas e como podemos aumentar a sua área do país.

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