A saída de João Galamba de secretário de Estado para ministro das Infraestruturas abre espaço à autonomização destas duas áreas governativas, afirma a associação liderada por Francisco Ferreira.
A Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável lembra que um dos desejos para este novo ano tinha sido precisamente a separação da actual Secretaria de Estado do Ambiente e da Energia, adoptada no final de Março passado, quando tomou posse o novo Governo.
“Os vários dossiers demonstram que foi uma junção que resultou numa incapacidade da atual equipa para dar resposta atempada a diversos dossiers de implementação urgente, principalmente na área do ambiente, incluindo temas como resíduos, qualidade do ar, ruído, avaliação de impacte ambiental, entre outros”, afirma em comunicado a associação, reagindo assim ao anúncio divulgado ao final da tarde desta segunda-feira.
Além de João Galamba, que vai substituir o anterior ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, a secretária de Estado da Habitação, Marina Gonçalves, passa a chefiar o futuro ministério da Habitação. Os nomes dos novos secretários de Estado deverão ser conhecidos ainda hoje, estando a tomada de posse prevista para amanhã.
Segundo a Zero, do lado da Energia ficaram também vários objectivos importantes por cumprir de forma adequada, devido ao actual quadro organizativo: a estratégia nacional de combate à pobreza energética, a aplicação de medidas de poupança energética, e ainda a selecção e acompanhamento dos inúmeros projetos de renováveis e de desenvolvimento da produção de hidrogénio.
Um dos conflitos maiores no interior da actual Secretaria de Estado é por exemplo a “concertação de aspectos de impacte ambiental com a construção de novas infraestruturas de produção de electricidade renovável”, aponta a ONG portuguesa, que apela que a saída de João Galamba seja aproveitada para “uma remodelação mais profunda do Ministério do Ambiente de forma a se proporcionar uma aceleração dos desafios da neutralidade climática e da sustentabilidade”.