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Procuram-se pessoas para ajudar aves migradoras este outono

01.10.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Carlos Rochinha

O apelo foi lançado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-Birdlife): se vir uma ave morta por ter chocado contra um vidro, tome nota e avise a associação. Perceba como assim poderá ajudar as milhares de aves que estão neste momento a atravessar Portugal.

Por estes dias, milhares de aves atravessam o nosso país nas suas migrações outonais. Mas muitas não sobrevivem ao percurso por causa de uma ameaça invisível: os vidros dos nossos edifícios.

Isto porque “superfícies transparentes ou espelhadas transformam-se em armadilhas fatais” para as aves que não as reconhecem como obstáculos físicos. A SPEA-Birdlife explica porquê: “primeiro, porque não reconhecem as pistas visuais que nós humanos usamos para identificar a presença deste tipo de superfícies – como a moldura de uma janela, o puxador de uma porta ou mesmo a estrutura de um edifício. Por outro lado, quando estão em voo deslocam-se a grande velocidade, pelo que quando se apercebem da barreira podem já não ter tempo suficiente para reagir.”

Foto: Julieta Costa/SPEA-Birdlife

Muitas vezes, o impacto da colisão é letal.

Na verdade, este é um problema mundial que causa a morte a centenas de milhões de aves todos os anos. Em Portugal, um estudo da SPEA-BirdLife (2024) revela um dado alarmante: em 82% dos casos registados, a ave não sobrevive.

Por isso, a SPEA-Birdlife pede a ajuda de todos os cidadãos para “que registem colisões com aves, ajudando a expor a verdadeira dimensão deste problema”.

A organização disponibiliza no seu site um formulário para registo de colisões de aves, para assim conseguir identificar espécies afetadas, mapear os locais mais perigosos e pressionar para a adoção de soluções eficazes.

“Pedimos que, sempre que vejam uma ave a colidir com uma janela, barreira acrílica ou outra superfície transparente ou espelhada – ou encontrem uma ave morta ou atordoada junto a uma destas barreiras – façam o registo no formulário”, explicou, em comunicado, Hany Alonso, técnico sénior de ciência da SPEA-BirdLife. Mesmo que as observações de colisões tenham sido feitas há algum tempo, podem à mesma registar no formulário, desde que consigam reportar a data.

Os locais que pode ter em conta vão desde grandes edifícios com fachadas espelhadas a barreiras acústicas em autoestradas, paragens de autocarro, campos de padel ou até janelas domésticas com vista para jardins.

Foto: Carlos Rochinha

“Para espécies como o guarda-rios, o gavião ou o papa-moscas-preto, as colisões com superfícies transparentes ou espelhadas representam uma fatia significativa da mortalidade não-natural”, sublinhou Hany Alonso.

Os dados recolhidos através deste formulário permitirão identificar pontos críticos e trabalhar com responsáveis por edifícios e infraestruturas para implementar soluções que reduzam estas mortes evitáveis, assim como ajudar as pessoas que têm este problema em alguma janela da sua casa, para encontrarem uma solução viável e que seja fácil de aplicar.

A SPEA-Birdlife sublinhou também que este problema deve ser prevenido logo na fase de projeto de uma obra.

“É essencial planear antes de construir. Evitar superfícies transparentes ou espelhadas em zonas sensíveis pode fazer toda a diferença”, acrescentou Hany Alonso.

Por isso, a organização recomenda evitar este tipo de superfícies em áreas como ribeiras, zonas húmidas, parques e jardins.

Quando o vidro é inevitável, existem soluções simples e eficazes, como a aplicação de películas ou padrões visíveis para as aves. Estas devem ser colocadas no exterior e cobrir toda a superfície, seguindo orientações técnicas disponíveis no site da organização.

“Em edifícios de grande dimensão, é também fundamental testar e monitorizar a eficácia das medidas implementadas”, notou Hany Alonso.

A SPEA-BirdLife apela a autarquias, empresas e decisores para que deixem de ignorar este problema e integrem soluções na conceção dos espaços urbanos.

“Reduzir colisões não é opcional, é uma responsabilidade urgente para proteger as aves e travar uma perda de biodiversidade que está a acontecer à vista de todos.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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