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Ciência cidadã e ações no terreno marcam Semana sobre Espécies Invasoras

21.05.2026
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O jacinto-de-água é uma planta aquática que forma enormes tapetes. Foto: ShahadatHossain/Wiki Commons

As espécies exóticas invasoras voltam a estar no centro das atenções em Portugal e Espanha com o regresso da Semana sobre Espécies Invasoras – #SEI2026, de 23 a 31 de maio. A iniciativa ibérica está a organizar ações no terreno e iniciativas de Ciência Cidadã sobre um dos maiores desafios ambientais da atualidade.

A campanha – coordenada pela SPECO – Sociedade Portuguesa de Ecologia, através da Rede InvECO, pela plataforma INVASORAS.PT, pelo Grupo Especialista em Invasiones Biológicas e pelos projetos europeus LIFE COOP Cortaderia e LIFE INVASAQUA – envolverá centenas de entidades dos dois países, incluindo municípios, universidades, escolas, organizações não-governamentais, centros de ciência, empresas e grupos de cidadãos.

A iniciativa procura trazer para o debate público um problema que os organizadores consideram ainda “invisível” para grande parte da sociedade, apesar dos impactos crescentes na biodiversidade, agricultura, saúde pública e economia.

Segundo a IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas), as espécies exóticas invasoras são a quinta maior ameaça global à biodiversidade. O organismo estima que os prejuízos económicos associados ultrapassem os 423 mil milhões de dólares por ano em todo o mundo.

“Elas já estão nas cidades, nas praias, nas serras, nos rios, nos campos agrícolas e nas margens das estradas. Afetam diretamente o quotidiano das pessoas”, refere Elizabete Marchante, citada no comunicado da organização da campanha. A investigadora sublinha que “todos podemos ter um papel ativo na prevenção e mitigação deste problema”.

Durante nove dias, decorrerão atividades em todo o território ibérico. O programa inclui ações de controlo de espécies invasoras, caminhadas interpretativas, bioblitzes, oficinas, exposições, campanhas digitais, webinares e iniciativas educativas dirigidas a escolas e famílias.

A edição deste ano aposta particularmente no MACRO-Bioblitz #SEI2026, uma ação de ciência cidadã que pretende mapear espécies invasoras através da plataforma iNaturalist, envolvendo cidadãos, investigadores e organizações dos dois países.

A organização espera que a edição de 2026 mantenha a tendência de crescimento registada nos últimos anos. Em 2025 foram promovidas 387 atividades por 255 entidades, enquanto em 2024 se realizaram 392 iniciativas dinamizadas por 235 organizações. Desde 2020, a #SEI tornou-se uma das maiores campanhas colaborativas de sensibilização ambiental da Península Ibérica.

Além da sensibilização, a #SEI2026 pretende destacar exemplos positivos de restauro ecológico, estratégias inovadoras de gestão e projetos comunitários de combate às invasões biológicas, mostrando que é possível reduzir os impactos destas espécies através da participação pública e da ação coordenada.

A organização está também a desafiar entidades e cidadãos a aderirem à iniciativa, quer através da promoção de atividades próprias, quer participando nas ações já previstas em Portugal e Espanha.

Entre elas está o o primeiro BIOTA Invasoras Summit que vai reunir decisores políticos, especialistas, empresas, entidades públicas e sociedade civil nos dias 27 e 28 de maio no Taguspark, em Oeiras. No centro da discussão estarão três espécies com elevado potencial de impacto: o mexilhão-zebra, o jacinto-de-água e o siluro ou peixe-gato-europeu, um predador invasor que ameaça a biodiversidade aquática e a pesca. O programa deste evento inclui palestras, mesas-redondas, workshops técnicos e uma área expositiva. Está ainda prevista a assinatura de um Memorando de Entendimento centrado na deteção precoce do mexilhão-zebra e na cooperação entre entidades públicas e privadas. 

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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