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SPEA BirdLife convida a contar a maior rapina do arquipélago da Madeira

11.03.2026
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Manta. Foto: Luis Berimbau

A 21 e 22 de março realiza-se o 20º Censo de Mantas na Madeira e no Porto Santo. A edição anterior contou cerca de 80 indivíduos desta espécie emblemática do arquipélago.

A pé, de bicicleta ou de carro, dezenas de entusiastas da natureza, famílias e grupos de amigos irão participar na contagem da ave de rapina conhecida regionalmente por manta (Buteo buteo harterti).

No ano passado, 34 voluntários observaram um total de 83 mantas, permitindo estimar uma população de cerca de 188 indivíduos no arquipélago. Neste censo foram percorridos cerca de 600 quilómetros na Madeira e no Porto Santo.

Para este ano, a SPEA/Birdlife sublinha que são necessários mais voluntários para cobrir o maior número possível de percursos e obter uma estimativa mais precisa da população desta espécie no arquipélago.

“Junte a família e os amigos e saia à rua para contar mantas”, desafia, em comunicado, Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira. “A metodologia é muito simples: basta realizar um ou mais percursos e registar quantas mantas observou. As contagens devem, preferencialmente, ser feitas nas horas de maior calor, quando estas aves apresentam maior atividade”, explica.

Como é esta rapina

A manta é a maior das três aves de rapina diurnas nidificantes no arquipélago da Madeira, sendo relativamente fácil de identificar pelo seu porte.

Tem plumagem predominantemente castanha, asas largas com a parte interior mais clara e uma cauda curta e listrada. O bico e as patas são amarelos.

Nesta altura do ano, correspondente à época de reprodução, as mantas encontram-se particularmente ativas e vocais.

Na Madeira, estas aves podem ser observadas desde zonas florestais até áreas urbanas, geralmente em voo ou pousadas em pontos elevados de onde observam o território em busca de presas, como ratos, aves, coelhos, répteis, anfíbios, insetos e minhocas.

Enquanto predador de topo, esta rapina tem um papel importante no controlo de pragas e na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Apesar de atualmente ater um estatuto de conservação pouco preocupante, enfrenta várias ameaças como a perda de habitat, o envenenamento e a eletrocussão em linhas elétricas.

Após a conclusão do censo, todos os voluntários receberão um certificado de participação e serão informados em primeira mão sobre os resultados obtidos.


Agora é a sua vez.

Aqui está o formulário de inscrição no censo.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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