Mais de 56.000 observações de aves costeiras ao longo de quase 70 anos nos mares Báltico, do Norte e Mediterrâneo Ocidental confirmam que as comunidades destas aves estão a recuperar, revela um novo estudo.
Os resultados desta investigação, na qual participa o Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC) juntamente com numerosos investigadores espanhóis, mostram aumentos médios de 1,7% no número de espécies e de 2,7% no número de indivíduos.
As melhorias observadas estão associadas a políticas ambientais mais rigorosas e a ações que promovem a recuperação de habitats, a criação de áreas protegidas ou a proibição da caça.
Contudo, segundo o artigo científico publicado a 26 de novembro na revista Global Change Biology, a recuperação destas comunidades de aves não tem sido homogénea.
De facto, em 5% das zonas estudadas, a riqueza de espécies continua a diminuir e em 13% das restantes o número de indivíduos mantém-se em recessão.
“A recuperação também foi irregular ao longo do tempo”, comentou Carlos Cano-Barbacil, investigador do MNCN e autor do estudo. “No mar Báltico, a melhoria mais acentuada ocorreu entre 1990 e 2015, com aumentos notáveis no número de espécies e na abundância. No mar do Norte, com menos dados disponíveis, as populações parecem mais estáveis. Pelo contrário, no Mediterrâneo Ocidental, a melhoria deu-se principalmente entre 1970 e 1990 e, posteriormente, essa tendência estagnou.”
A relevância das aves costeiras
As aves que podemos ver em praias, falésias, estuários e pequenas ilhas têm um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas costeiros e marinhos.
Mas a verdade é que são também um dos grupos mais ameaçados pela sobreexploração dos mares, poluição, alterações climáticas, perda de zonas de nidificação e por espécies invasoras como ratos ou gatos.
Os resultados do estudo confirmam que as políticas europeias, como a Diretiva Aves e a criação de áreas protegidas, têm dado frutos.
No entanto, os autores alertam que persistem ameaças como a transformação dos litorais, a sobrepesca, a poluição, as espécies invasoras ou as alterações climáticas.
“Estas aves são indicadores da saúde dos ecossistemas e a sua recuperação em alguns locais é o resultado de décadas de esforços de conservação, mas não podemos baixar a guarda”, alertou Cano-Barbacil.
Recolha de dados
A equipa reuniu dados entre 1957 e 2024 e aplicou modelos estatísticos para avaliar mudanças na riqueza e diversidade de espécies, bem como na abundância de indivíduos. Além disso, analisou o efeito das áreas protegidas e comparou as tendências das comunidades de aves em época de reprodução e no inverno, apoiando-se a investigação em bases de dados europeias e censos nacionais.
Este trabalho faz parte do projeto europeu MARCO-BOLO (MARine COastal BiOdiversity Long-term Observations), no qual participa o instituto Senckenberg da Alemanha. As universidades de Múrcia, Valência e Autónoma de Madrid, assim como o CEAB-CSIC, contribuíram com dados de censos de aves da costa mediterrânica espanhola para este estudo.