O leitor António José Silva reparou que, de há uns dias para cá, deixou de ouvir os habituais e familiares sons de pardais, melros ou andorinhões. O que está a acontecer? É normal? Gonçalo Elias, do portal Aves de Portugal, responde.
“Caros Amigos, na minha zona, ou melhor no sítio onde moro em Laveiras, Caxias, haviam sempre pardais, melros e andorinhões e outras aves que desconheço o nome! De há uns dias para cá deixámos de ver e ouvir o trinado dos melros, o chilreio dos pardais e andorinhões. Penso que ou estão nos ninhos com os filhotes ou regressaram ao Sul. Estranho deixar de ouvir e ver os pardais e os melros que andavam às dezenas no chão e nas árvores perto da nossa casa! Tenho alertado as pessoas mas só quando as alerto se apercebem do fenómeno! Agradeço o favor da vossa resposta”, escreveu o leitor à Wilder.

Colocámos a pergunta a Gonçalo Elias, responsável pelo portal Aves de Portugal e autor de inúmeros livros naturalistas dedicados às aves.
Segundo Gonçalo Elias, “há vários factores que podem explicar estas alterações”.
“Por um lado, a época dos ninhos – que acontece sobretudo na Primavera – já terminou para a maioria das espécies e, por isso, elas deixam de cantar, uma vez que o canto está fortemente ligado à actividade de reprodução e de defesa de um território. Deste modo, é normal que nesta altura se ouçam menos. É o que acontece com os melros, que agora não cantam”.
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“Há também o calor que se faz sentir nesta época do ano. Isto leva muitas aves a concentrarem a sua actividade nas primeiras horas do dia, após o que se escondem por entre a vegetação ou noutro local que lhes ofereça refúgio do sol durante as horas em que o sol está mais forte. Dado que agora está tudo muito seco, muitas vezes preferem sítios perto de água, como sejam relvados, jardins com lagos ou com irrigação.”
“Acresce ainda o facto de nesta época muitas aves estarem a mudar as penas (a muda é a substituição das penas velhas por outras novas). Durante essa fase elas ficam mais vulneráveis e por isso muitas espécies adoptam um comportamento mais discreto.”
“No caso dos pardais, eles já abandonaram os ninhos e agora tendem a juntar-se em bandos nos locais onde o alimento abunda e também formam grandes dormitórios, por exemplo em jardins públicos ou outros locais com árvores grandes.”
“Quanto aos andorinhões, também já poderão ter terminado a actividade reprodutiva e, uma vez que são migradores, muitos já podem ter abalado rumo aos quartéis de invernada em África.”
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