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SPEA responde a perguntas sobre a gripe aviária

03.12.2025
leitura de 3 minutos
Ganso-patola ou alcatraz (Morus bassanus). Foto: Carsten Steger/WikiCommons

A gripe que afeta as aves selvagens na Europa durante as migrações do Outono está a preocupar as autoridades. A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) ajuda a compreender melhor o que se passa.

Por estes dias, a gripe aviária preocupa conservacionistas e autoridades em toda a Europa.

Na verdade, segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), os focos de infeção por vírus da gripe aviária são mais elevados do que os dos anos anteriores.

Por isso, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) declara “Nível sem precedentes de gripe aviária altamente patogénica em aves selvagens na Europa durante a migração de aves no outono de 2025”.

A fim de salvaguardar a saúde das aves e a saúde pública, o Edital n.º 38 deu continuidade à ordem de confinamento das aves domésticas em todo o território do continente e a proibição da realização de eventos de exposição e concurso de aves em cativeiro, bem como a proibição de ajuntamentos de aves domésticas em feiras e mercados.

De momento não há há evidências de que a gripe aviária possa ser transmitida aos seres humanos através do consumo de alimentos.

Segundo a SPEA, “as maiores preocupações relativas à gripe aviária continuam a ser o impacto económico de eventuais surtos em aves de cativeiro e o impacto ecológico em espécies selvagens”. As mais vulneráveis são as que nidificam em colónias, como muitas espécies de aves marinhas e aquáticas, onde o vírus se pode espalhar rapidamente por um grande número de aves e comprometer a população.

“Surtos em anos consecutivos poderão agravar a situação de populações já ameaçadas.”

Em Portugal, as aves selvagens mais afetadas têm sido as gaivotas, com alguns casos confirmados também garças, patos, cegonhas e alcatrazes.

A SPEA explica que os “casos em aves selvagens tendem a concentrar-se nas zonas costeiras e estuários, onde existem grandes concentrações de aves marinhas, nomeadamente gaivotas, mas podem surgir focos de gripe aviária um pouco por todo o país”.

Passeios para observação de aves

Quem gosta de sair para observar aves pode ficar descansado. “As atividades de observação de aves e passeios de natureza mantêm-se seguras para quem segue as recomendações básicas: manter distância de qualquer ave selvagem, especialmente de aves doentes ou mortas, não lhes tocar e reportar situações anómalas”, garante a organização.

Os observadores de aves podem até mesmo ajudar. Se encontrar uma ave viva mas com sinais de doença – como movimentos descoordenados, tremores, torção do pescoço e apatia extrema – deve contactar as autoridades responsáveis, nomeadamente: o SEPNA/GNR: 808 200 520 (Portugal continental); a Rede SOS Vida Selvagem: 961957545 (Madeira); a Linha SOS Ambiente: 800292800 (Açores); o centro de recuperação mais próximo ou o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Mas, sobretudo, não se deve aproximar das aves com sintomas.

Se encontrar uma ave morta, deve tirar a fotografia e registar a data e o local com a maior precisão possível para enviar àquelas entidades.

Estas acções são importantes para ajudar a sabermos mais sobre a gripe aviária que, em alguns casos, já é uma ameaça significativa para espécies em perigo.

“A mortalidade causada pela gripe aviária ao longo dos últimos anos já é significativa em algumas populações de aves marinhas, como o alcatraz e o garajau-de-bico-preto”, recorda a SPEA. “Ao somar-se aos impactos de outras ameaças – como a sobrepesca, as capturas acidentais e a poluição por plásticos – dificulta ainda mais a situação das aves marinhas, que já são um dos grupos animais mais ameaçados do mundo.”

Isto porque as aves marinhas demoram vários anos a atingir a maturidade sexual e têm geralmente poucas crias por ano. Portanto, uma colónia pode levar largos anos a recuperar de um surto que dizime os adultos reprodutores. A monitorização feita pela SPEA e parceiros nacionais e internacionais, em coordenação com as autoridades, é essencial para perceber a dimensão real deste impacto.

As equipas da SPEA e os seus parceiros e voluntários estão alerta para situações como a gripe aviária. Quando, no decurso dos seus trabalhos, as equipas SPEA detetam aves com suspeita de gripe aviária, os técnicos da SPEA reportam às autoridades competentes, seguindo os procedimentos aconselhados a todos os cidadãos.

“Ao monitorizar regularmente as populações de aves selvagens, a SPEA recolhe dados importantes para aferir o impacto de eventuais surtos nas diferentes espécies, permitindo, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, identificar tendências populacionais e assim avaliar o grau de ameaça para a sobrevivência das espécies.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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