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Novo guia ilustrado dá a conhecer as principais algas da costa portuguesa

11.11.2025
leitura de 3 minutos
Alga verde, da espécie Bifurcaria bifurcata. Foto: Leonel Pereira

Redigida em inglês e disponível de forma gratuita em formato digital, obra é da autoria de um professor e investigador ligado à Universidade de Coimbra.

O novo Guia Ilustrado das Principais Macroalgas da Costa Atlântica Continental Portuguesa “nasceu da necessidade de dispor de um recurso acessível, atualizado e visualmente apelativo para estudantes e investigadores das áreas da botânica marinha, biotecnologia e ecologia costeira”, indica a Universidade de Coimbra. “Foi pensado para apoiar diretamente as disciplinas que leciono, mas também para servir como ferramenta útil a outras universidades portuguesas e estrangeiras”, acrescenta Leonel Pereira, que é professor na Universidade de Coimbra e investigador no Centro de Ecologia Funcional e o responsável por esta obra escrita em inglês, na qual contribuiu também Ignacio Bárbara, professor na Universidade da Corunha.

Em causa estão inúmeras espécies de macroalgas – ou seja, espécies que se vêem a olho nu – divididas em três grupos diferentes: as algas verdes, as vermelhas e as castanhas. Na costa portuguesa, todas estas espécies pertencem também a outros dois mundos diferentes. Isto porque está em causa uma “zona de transição geográfica”, na qual coexistem algas do Atlântico Norte temperado, que são típicas de águas frias – como a Laminaria ochroleuca – e algas do Mediterrâneo subtropical ligadas a águas mais quentes, como é o caso da Padina pavonica.

Alga vermelha da espécie Asparagopsis armata, uma alga invasora, fotografada debaixo de água. Foto: Leonel Pereira

“Essa diversidade faz do litoral português um autêntico laboratório natural para o estudo das alterações climáticas e da dinâmica dos ecossistemas marinhos, mas também o torna particularmente sensível às mudanças ambientais”, explica Leonel Pereira, citado numa nota de imprensa da Universidade de Coimbra. “Pequenas variações de temperatura ou salinidade podem alterar profundamente a composição das comunidades costeiras.”

Mas qual é a importância das macroalgas? Desde logo,
são produtoras primárias, pois produzem o seu próprio alimento a partir da fotossíntese. São também responsáveis por “uma grande parte do oxigénio e da matéria orgânica que sustenta a vida marinha”, e “criam habitats complexos que servem de abrigo, refúgio e zona de alimentação para uma enorme variedade de espécies, desde pequenos crustáceos até peixes juvenis”.

Mas além desse papel ecológico, têm outras funções igualmente importantes a nível químico e físico, destaca o investigador português: “ajudam a regular a qualidade da água, capturam dióxido de carbono e contribuem para a proteção das zonas costeiras, reduzindo a energia das ondas e estabilizando os sedimentos”, afirma Leonel Pereira, que nota que a presença ou ausência de algas “é um indicador direto da saúde ambiental das águas portuguesas”.

O guia também chama a atenção para espécies de interesse ecológico e económico, algumas delas cada vez mais raras. Entre as mais relevantes estão Gelidium corneum, usada na produção de agar, Gracilaria gracilis, sensível às variações de temperatura e salinidade, e Plocamium cartilagineum, que contém compostos com potencial farmacológico.

Alga castanha da espécie Calliblepharis jubata. Foto: Leonel Pereira

Os efeitos das alterações climáticas…

Apesar da confluência de dois ambientes diferentes, com algas de águas frias e outras de águas mais quentes, as alterações climáticas estão a modificar as fronteiras de distribuição dessas espécies. Leonel Pereira explica que as macroalgas de águas frias estão a recuar para norte, enquanto que existem espécies subtropicais que avançam e dominam zonas que antes eram temperadas.

Ao mesmo tempo, os cientistas têm registado a chegada de espécies invasoras como Rugulopteryx okamurae, Asparagopsis armata e Sargassum muticum, o que “representa uma ameaça crescente à biodiversidade marinha e às atividades económicas ligadas ao mar”, alerta.

… e a importância da investigação e da ciência cidadã

Para responder a estes desafios, a investigação científica tem um “papel decisivo” – nota a Universidade de Coimbra – através da realização de estudos genéticos e ecológicos que permitem identificar a existência de espécies de algas ameaçadas e acompanhar a evolução das comunidades ao longo do tempo. Além do controlo e monitorização destas espécies, acrescenta, tem havido também “um esforço crescente de valorização da biomassa recolhida, através do seu aproveitamento para a produção de bioplásticos, cosméticos e compostos farmacêuticos”.

Outra atividade com importância crescente é a ciência cidadã, praticada por exemplo de plataformas digitais como a iNaturalist e a BioDiversity4All, onde qualquer pessoa pode participar na identificação e registo de macroalgas ao longo da costa, contribuindo para a monitorização de espécies e alertando para eventuais mudanças nos ecossistemas. “Esta colaboração entre cientistas e sociedade civil reforça a proteção ambiental e promove uma maior consciência ecológica entre as comunidades costeiras”, conclui Leonel Pereira. 

O novo guia pode ser consultado e dascarregado aqui.


Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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