O projeto BioRegisto, promovido pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, já permitiu identificar 1015 espécies no concelho, graças à participação de mais de 1100 pessoas, revelou a autarquia.
Os dados recolhidos na plataforma BioRegisto, criada em 2018, revelam uma forte representatividade de aves, que correspondem a 40% dos registos validados na plataforma. Seguem-se os insetos, as plantas e os fungos, num total de mais de 15 grupos taxonómicos já documentados.
Entre as observações mais relevantes destacam-se espécies de elevado interesse para a conservação. É o caso do junco-agulha-anão (Eleocharis parvula), uma planta classificada como Criticamente em Perigo em Portugal e com distribuição extremamente limitada. Uma das quatro populações conhecidas no país foi identificada no estuário do rio Lima, em 2024, no âmbito de um workshop dedicado à flora aquática, ripícola e halófita.
A autarquia destaca também o registo do ganso-de-faces-brancas (Branta leucopsis), uma espécie rara em território nacional. A observação foi submetida ao Comité Português de Raridades, entidade responsável pela validação de ocorrências de aves raras ou acidentais em Portugal.
Desde a sua criação a plataforma BioRegisto contabiliza 1.122 participantes, cerca de 4.500 observações submetidas e 400 utilizadores registados, envolvendo tanto o público em geral como a comunidade escolar.
Disponível online, a plataforma BioRegisto permite a qualquer cidadão contribuir para o mapeamento da biodiversidade da região, reforçando a ideia de que o conhecimento é uma ferramenta essencial para a sua preservação.
A iniciativa tem vindo a apostar na proximidade entre ciência e sociedade, através da realização de atividades educativas e workshops orientados por biólogos especialistas. Estas ações, que incluem saídas de campo, querem capacitar os participantes para a identificação de espécies e o reconhecimento das suas principais características, contribuindo para uma maior literacia científica e ambiental.
Além do BioRegisto, o município tem vindo a dinamizar diversas iniciativas integradas na Rede Municipal de Ciência, para promover o conhecimento e a valorização da biodiversidade local. A estratégia, defende, passa por envolver cidadãos, investigadores e decisores políticos na conservação do património natural.