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O que fazer se encontrar uma cria de ave no chão

12.06.2026
leitura de 2 minutos
Pardal-comum. Foto: Tim/Pixabay

Na primavera e verão, é comum encontrar crias de aves no chão em jardins, parques, ruas ou quintais. Na maioria das situações, ajudar pode fazer mais mal do que bem. Saiba o que dizem os peritos.

Segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), muitas espécies abandonam o ninho antes de conseguirem voar perfeitamente. Durante alguns dias, estas jovens aves permanecem no solo ou em ramos baixos, enquanto os pais continuam por perto, alimentando-as e protegendo-as.

Trata-se de uma fase normal do desenvolvimento, em que as crias aprendem gradualmente a tornar-se independentes. Retirá-las do meio natural interrompe este processo e pode diminuir significativamente as suas hipóteses de sobrevivência.

Se a ave estiver coberta de penas, conseguir saltar ou fazer pequenos voos e não apresentar sinais evidentes de ferimentos, o mais provável é que não esteja abandonada. Nestes casos, a recomendação é afastar-se e observar à distância. Os progenitores podem estar nas proximidades e regressarão para a alimentar quando não houver pessoas por perto.

Caso existam perigos imediatos – como trânsito, cães ou gatos – a cria pode ser deslocada alguns metros para um local mais seguro, como debaixo de um arbusto ou para um ramo baixo.

Mas nem todas as crias encontradas no chão estão numa situação normal. Algumas podem ter caído do ninho prematuramente, por acidente ou devido a condições meteorológicas adversas.

As crias que precisam de ajuda, geralmente, têm ainda poucas penas, são incapazes de saltar ou de fazer pequenos voos e dependem completamente dos pais para serem alimentadas. Também uma ave ferida ou debilitada deve ser encaminhada para assistência especializada.

No caso dos andorinhões, a situação é particular. Sempre que uma cria desta espécie é encontrada no chão, deve ser recolhida e encaminhada para um centro de recuperação de fauna selvagem, uma vez que os adultos não conseguem pousar no solo para a alimentar.

O que fazer se a ave precisar de ajuda?

Os especialistas recomendam contactar um centro de recuperação de fauna selvagem ou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Também os serviços municipais ou as autoridades ambientais podem prestar apoio.

Pode consultar aqui os contactos dos centros de recuperação da vida selvagem distribuídos por todo o país.

Criar uma ave em casa é uma tarefa muito exigente. As crias precisam de alimentação específica e frequente, além de cuidados especializados que evitem que associem os seres humanos à obtenção de alimento. Essa habituação pode comprometer a sua sobrevivência futura na natureza.

Além disso, nunca deve manter uma ave selvagem em cativeiro. A posse de aves selvagens é punível por lei.

Perante uma cria de ave no chão, a melhor ajuda nem sempre é pegá-la ao colo. Em muitos casos, basta deixá-la onde está e permitir que os pais continuem a desempenhar o seu papel.

Como agir

  • Observe primeiro e mantenha a distância.
  • Não recolha a ave se esta já tiver penas e conseguir saltar ou fazer pequenos voos.
  • Afaste-a apenas se estiver em perigo imediato.
  • Se tiver poucas penas, estiver ferida ou se se tratar de um andorinhão, contacte um centro de recuperação de fauna selvagem ou o ICNF.
  • Nunca tente alimentá-la com pão, leite ou outros alimentos inadequados.

Na natureza, crescer fora do ninho faz parte da vida de muitas aves. E, muitas vezes, a melhor forma de as ajudar é simplesmente deixá-las seguir o seu caminho.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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