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Vinte e sete tartarugas-comuns devolvidas ao mar em praia da Andaluzia

16.06.2026
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Devolução das tartarugas-comuns ao mar. Foto: Junta da Andaluzia

Vinte e sete tartarugas-comuns (Caretta caretta) foram libertadas a 15 de junho na praia de Rio Abajo, na localidade de Mojácar (Andaluzia). Estas tartarugas, nascidas no verão de 2025, passaram o último ano num centro de recuperação de animais selvagens.

A história destas pequenas tartarugas, que hoje têm 1,2 quilos de peso e estão em boa condição física, começou em junho de 2025 na praia de Piedra Villazar, também em Mojácar.

A 22 desse mês, os serviços municipais de Mojácar alertaram o 112 para a presença de uma tartaruga marinha na praia da Piedra Villazar que parecia estar a preparar-se para pôr ovos, escavando um buraco na areia da praia. De imediato a zona foi delimitada e vigiada.

A tartaruga pôr 99 ovos que acabaram por ser transferidos para outro local mais seguro por causa de possíveis inundações pelas marés ou por tempestades. 

Vinte desses ovos foram levados para uma câmara de incubação e os outros 79 foram depositados na Praia de Rio Abajo, onde se deu ontem a devolução dos animais à natureza.

Dos 99 ovos eclodiram e sobreviveram um total de 56 tartarugas, 13 das quais na incubadora. Segundo um comunicado da Junta da Andaluzia, “os restantes ovos estavam vazios, sem evidências de desenvolvimento embrionário, ou com embriões que não chegaram a ser viáveis para completar a eclosão”. 

Desde agosto que as 56 tartarugas estiveram no Centro de Gestão do Meio Marinho Andaluz (CEGMA) “para a sua manutenção, seguimento e criação controlada”.

Durante os primeiros dias morreram quatro tartarugas e, em janeiro deste ano, um surto infeccioso causou a morte a outros 25 animais. “A rápida intervenção veterinária e a implementação de medidas de controlo sanitário, além do esforço continuado da equipa do CEGMA foram cruciais para conter o surto e para salvar os 27 exemplares que se libertaram agora”.

Enquanto estiveram em cativeiro, as tartarugas foram submetidas a um programa de seguimento sanitário continuado que incluiu pesagens semanais, acompanhadas por uma revisão veterinária individual para avaliar o seu estado de saúde geral, condição corporal e evolução clínica. Nos últimos meses, vários exemplares foram levados para o Aquário de Roquetas de Mar y Selwo Marina, cujas equipas fizeram um seguimento exaustivo da sua evolução.

Ontem, a conselheira para a Sustentabilidade e Ambiente, Catalina García, felicitou “o trabalho de tantos profissionais e voluntários que deram tudo para que hoje possamos devolver ao seu maio natural, ao meio marinho, estes magníficos exemplares de tartaruga-comum”.

A tartaruga-comum é uma espécie ameaçada que vive em mares de águas quentes e pode pesar mais de 100 quilos. São animais omnívoros e alimentam-se de algas, bivalves, crustáceos e de medusas.

Estas tartarugas fazem, ao longo da vida, grandes migrações até às praias onde põem os seus ovos. Isto acontece entre junho e julho.

Nos últimos anos parecem estar a aumentar os eventos de anidação nas praias da Andaluzia. Na verdade, este foi o quinto desde 2001 no litoral de Almeria. A Junta suspeita que isso poderá estar relacionado com o aumento da temperatura das águas do Mar Mediterrâneo mas também com o maior esforço feito por investigadores e autoridades locais para conhecer melhor a espécie.

Em Portugal, a tartaruga-comum é uma espécie migradora (não reprodutora) visitante nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. É nas águas oceânicas em redor destas ilhas que estas tartarugas passam grande parte da fase inicial do seu ciclo de vida, entre seis a 12 anos, com uma missão: procurar alimento nas frentes oceânicas. São animais que nasceram nas costas ocidentais do Atlântico Norte (Estados Unidos e México).

Estes animais, essencialmente juvenis, fazem parte de uma população mais ampla que abrange grande parte do Atlântico Norte Central e Ocidental.

Enquanto as tartarugas juvenis ocorrem exclusivamente em alto mar, os adultos têm hábitos costeiros.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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