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Vaga de calor enche centros de recuperação de fauna em França: andorinhas e andorinhões entre as principais vítimas

25.06.2026
leitura de 2 minutos
Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Foto: Standbild-Fotografie/WikiCommons

Organização de conservação alerta para aumento dramático de animais em dificuldades devido às temperaturas extremas. Juvenis de aves estão a abandonar os ninhos antes do tempo para escapar ao calor sufocante.

A vaga de calor excepcional que atinge França desde 21 de junho está a provocar uma pressão sem precedentes sobre os centros de recuperação de fauna selvagem, que recebem diariamente dezenas de animais afectados pelas temperaturas extremas.

A Liga francesa para a Protecção das Aves (LPO) alertou esta semana para o agravamento da situação e apelou à mobilização dos cidadãos para ajudar a fauna selvagem a enfrentar um episódio de calor que está a afectar aves, ouriços-cacheiros, raposas, texugos e muitas outras espécies.

“Cada um dos centros de recuperação da LPO recebe actualmente entre 60 e 100 animais por dia, números que ilustram a dimensão da crise”, escreve a organização em comunicado.

Em várias regiões francesas, as equipas têm sido obrigadas a adaptar continuamente a capacidade de acolhimento para responder ao afluxo crescente de animais debilitados por desidratação, exaustão ou exposição prolongada ao calor.

A situação é particularmente preocupante para as aves que nidificam em edifícios, como os andorinhões e as andorinhas, espécies que já enfrentam um acentuado declínio populacional devido à perda de locais adequados para nidificação.

Sob os telhados e nas cavidades dos edifícios, as temperaturas podem ultrapassar os 50 graus Celsius. Para escapar ao calor sufocante, muitas crias acabam por abandonar os ninhos antes de estarem preparadas para voar, caindo no solo e ficando vulneráveis à desidratação, à predação ou a ferimentos.

Na região de Provença-Alpes-Côte d’Azur, o centro de recuperação da LPO acolhe actualmente cerca de 200 andorinhões. Já na região de Clermont-Ferrand, no centro de França, encontram-se em recuperação 110 andorinhas e andorinhões. Na Alsácia, onde as admissões rondam uma centena de animais por dia, cerca de 170 destas aves estão igualmente a receber cuidados.

Alterações climáticas agravam pressão sobre a fauna

Os conservacionistas alertam que as ondas de calor são uma ameaça cada vez maior para a biodiversidade.

A escassez de água, a destruição de recursos alimentares, o sobreaquecimento do solo e a redução das zonas húmidas dificultam a sobrevivência de muitas espécies, sobretudo durante os períodos mais críticos do ciclo reprodutor.

“Em 2025, os sete centros de recuperação da LPO acolheram mais de 20 mil animais selvagens. Destes, mais de 14% foram vítimas directas de fenómenos climáticos extremos, incluindo tempestades, secas, inundações e episódios de calor intenso.”

A organização considera que os acontecimentos registados este ano confirmam uma tendência preocupante. Depois de tempestades severas durante o inverno e de vários episódios meteorológicos extremos na primavera, a actual vaga de calor surge como mais um sinal da crescente vulnerabilidade da fauna selvagem perante as alterações climáticas.

Como ajudar a fauna durante o calor extremo

Face à situação, a LPO recomenda medidas simples que podem aumentar as probabilidades de sobrevivência de muitas espécies.

Entre os gestos aconselhados estão a colocação de recipientes pouco profundos com água fresca em jardins, varandas ou espaços verdes, a preservação de zonas de sombra, a redução da frequência dos cortes de relva para manter áreas mais frescas e a instalação de dispositivos que permitam aos animais sair facilmente de piscinas ou tanques de água.

Em caso de encontro com um animal aparentemente em dificuldades, a organização recomenda que este seja colocado temporariamente num local calmo e à sombra, com acesso a água, devendo depois ser contactado um centro de recuperação de fauna ou uma entidade especializada para receber orientações adequadas.

Para os responsáveis da LPO, “a emergência actual demonstra que as consequências das alterações climáticas já não constituem uma ameaça futura, mas uma realidade que está a afectar diariamente a sobrevivência da fauna selvagem europeia”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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