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SPEA BirdLife saúda recuo no projeto do Caminho das Ginjas para proteger floresta Laurissilva

18.02.2026
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Floresta Laurissilva. Foto: SPEA

O governo Regional da Madeira recuou na decisão de pavimentar um caminho em plena floresta Laurissilva da Madeira, uma decisão saudada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA Birdlife).

O projeto previa a pavimentação de um caminho de terra batida que liga o sítio das Ginjas, em São Vicente, e o Paul da Serra, em plena Floresta Laurissilva da Madeira, área classificada como Património Mundial Natural pela UNESCO e integrada na Rede Natura 2000. 

“Esta decisão representa uma vitória significativa para a conservação da natureza na Região Autónoma da Madeira e evidencia a importância da intervenção técnica, cívica e jurídica na defesa de áreas ambientalmente sensíveis”, comentou a organização de conservação da natureza em comunicado divulgado a 17 de fevereiro. 

“A decisão agora anunciada demonstra que vale a pena defender o nosso património natural com base em argumentos científicos sólidos e na lei”, disse Cátia Gouveia, coordenadora regional da SPEA. “A Laurissilva é um património único à escala mundial e não pode ser sujeita a intervenções que coloquem em risco a sua integridade ecológica.” 

Segundo a SPEA Birdlife, o Caminho das Ginjas insere-se numa zona de elevado valor ecológico, onde ocorrem habitats prioritários e espécies endémicas particularmente sensíveis à fragmentação e à intensificação da pressão humana. 

A SPEA reafirma que continuará atenta a quaisquer desenvolvimentos futuros relacionados com esta área e disponível para colaborar na definição de soluções que promovam o usufruto responsável da natureza, compatível com a conservação dos valores naturais que distinguem a Madeira no contexto europeu e mundial. 

“O desenvolvimento regional não pode ser feito à custa do património natural. A proteção da Laurissilva é uma responsabilidade coletiva e uma herança que devemos preservar para as próximas gerações”, acrescentou Cátia Gouveia.

A área alvo do projecto foi alvo de um projecto de conservação realizado entre 2013 e 2017, o LIFE Fura-Bardos, financiado por fundos comunitários, que teve como objectivo regenerar a floresta Laurissilva e reduzir a sua fragmentação. Em 2021, 11 organizações não governamentais de defesa do Ambiente assinaram um comunicado conjunto onde sublinharam que, a ser aprovado, o projeto de alteração do caminho teria o efeito contrário.

A floresta Laurissilva da Madeira abriga inúmeras espécies de plantas e animais endémicas da Madeira e da Macaronésia, muitas delas ameaçadas.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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