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Registada nova espécie de vespa para Portugal

10.04.2026
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A vespa Exephanes ischioxanthus foi agora descrita pela primeira vez para Portugal, depois de ter sido encontrada em Baião, distrito do Porto, alargando assim a área de distribuição desta espécie.

Esta é uma vespa parasitoide, de corpo negro com tons vermelhos e brancos, que vive em mosaicos agrícolas e que se alimenta de flores.

Espécime de Exephanes ischioxanthus encontrado em Baião. Foto: Daniel Ferreira

Foi descrita para a Ciência em 1829. Agora foi descoberta em Portugal, mais concretamente num pequeno mosaico agrícola de Baião com manchas de vegetação herbácea espontânea, próximo de um pequeno carvalhal.

O indivíduo na base desta descoberta, uma fêmea, foi encontrado por Daniel Ferreira, investigador do Laboratório da Paisagem, a 2 de fevereiro de 2020.

Este registo português “torna-a a mais ocidental da sua distribuição na Europa continental. Um achado com peso”, segundo o Laboratório da Paisagem.

A descoberta, feita em colaboração com José Manuel Grosso-Silva (curador das coleções entomológicas do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto), foi publicada a 7 de abril na revista Arquivos Entomolóxicos.

Nesta espécie, as fêmeas são predominantemente negras; os machos, ligeiramente maiores (entre nove e 12 milímetros) têm uma coloração amarela na face e na região central do metasoma. A vespa E. ischioxanthus é um parasitoide larvar da traça noctuídea Mesoligia furuncula.

A vespa Exephanes ischioxanthus tem uma distribuição paleártica ocidental que, além de Portugal — agora reportado pela primeira vez —, inclui vários países europeus, nomeadamente Bélgica, República Checa, França, Alemanha, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha e Reino Unido.

Até agora, o registo mais ocidental conhecido na Europa continental corresponde a um exemplar preservado do noroeste de Espanha, recolhido a 28 de junho de 1915 e depositado no Museo Nacional de Ciencias Naturales, em Madrid.

Segundo os autores do artigo científico, esta observação de E. ischioxanthus “é particularmente significativa, pois reforça a ocorrência da espécie na região mais ocidental da Europa continental, indicando que são necessários mais estudos para avaliar a sua distribuição completa”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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