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Recifes de coral: Planeta atinge o primeiro ponto de não retorno climático, alerta WWF

15.10.2025
leitura de 2 minutos
Grande Barreira de Coral, Austrália. Foto: Toby Hudson/WikiCommons

O segundo Relatório Global Tipping Points conclui que o mundo ultrapassou o primeiro de vários “pontos de não retorno”: os recifes de coral de águas quentes estão já a sofrer uma mortalidade generalizada, alertou a WWF.

“O mundo entrou numa nova realidade: ultrapassou o primeiro de vários ‘pontos de não retorno’, com consequências potencialmente catastróficas para a humanidade e para a natureza, caso não haja uma ação urgente”, escreve, esta semana, a organização WWF em comunicado.

Esta é a principal conclusão do segundo Relatório Global Tipping Points (Pontos de Não Retorno), que será lançado na próxima semana pela WWF Internacional, em parceria com a Universidade de Exeter e outros parceiros científicos internacionais, antecedendo a Cimeira COP30, no Brasil.

Este novo relatório revela que os recifes de coral de águas quentes – dos quais dependem quase mil milhões de pessoas e cerca de um quarto da vida marinha – estão já a sofrer uma mortalidade generalizada. Este é um sinal de que o primeiro ponto de não retorno climático foi atingido.

“Mesmo que o aquecimento global seja estabilizado nos 1,5°C, é praticamente certo que os recifes ultrapassem o seu limite térmico, levando à perda de recifes em larga escala, a menos que a temperatura global regresse para cerca de 1°C”, segundo a WWF.

Ainda assim, pequenas áreas de recifes poderão sobreviver e devem ser protegidas com medidas de conservação urgentes.

O relatório alerta ainda para a iminência de outros pontos de não retorno: o colapso da Floresta Amazónica – onde se irá realizar a COP30 -, o degelo irreversível das calotas polares e a desestabilização da Circulação Meridional de Reviravolta do Atlântico (AMOC), uma corrente oceânica vital para o clima global.

“O colapso da AMOC poderá ocorrer com menos de 2°C de aquecimento e terá como consequências invernos mais rigorosos no noroeste da Europa, perturbações na época de monções da África Ocidental e da Índia, e quebras significativas nos rendimentos agrícolas em várias regiões do mundo, colocando em risco a segurança alimentar global.”

A publicação deste relatório surge num momento crítico, com os ministros reunidos nas vésperas da Cimeira da COP30, no Brasil.

O documento, elaborado por 160 cientistas de 87 instituições em 23 países, defende que os países devem agir imediatamente para minimizar a ultrapassagem do limite de 1,5°C, uma vez que cada fração de grau e cada ano passado acima desse valor aumentam significativamente o risco de atravessar pontos de não retorno nos sistemas naturais.

Para contrariar este cenário, o relatório defende a necessidade de desencadear “pontos de viragem positivos” – como a rápida adoção de tecnologias limpas e soluções baseadas na natureza.

Estes processos já estão em curso em áreas como a energia solar e eólica, a adoção de veículos elétricos, o armazenamento em baterias e o uso de bombas de calor, especialmente em mercados-chave.

Mudanças no consumo e na produção podem também desencadear pontos de viragem positivos em setores como o alimentar, contribuindo para travar a desflorestação e restaurar ecossistemas.

“O tempo para agir está realmente a esgotar-se, mas ainda podemos conter os danos”, comentou Alice Fonseca, Climate & Policy Officer da WWF Portugal. “Para isso, é necessária uma ação imediata e decisiva por parte dos líderes mundiais na COP30 – para proteger os direitos das pessoas em todo o mundo, já que as metas atuais e contributos de cada país não são suficientes.” 

Alice Fonseca defendeu ainda que o restauro da natureza é uma das formas mais poderosas de conter esses danos. É “essencial para criar resiliência, remover carbono da atmosfera e apoiar a subsistência das comunidades. Precisamos de acelerar esta e outras transformações com ações coordenadas entre governos, empresas e sociedade civil”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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