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Quercus contesta abate de 1400 sobreiros para ampliar Parque Industrial na Covilhã

01.09.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Joana Bourgard / Wilder

A organização diz que dezenas das árvores são centenárias e acusa a Câmara Municipal da Covilhã de não ter estudado alternativas à expansão da zona industrial do Tortosendo. A revisão do Plano Diretor Municipal do município está em discussão pública até 4 de setembro. 

A expansão do Parque Industrial do Tortosendo, na Covilhã, poderá implicar o abate de cerca de 1400 sobreiros, dezenas dos quais com mais de um século, denuncia a Quercus. A organização ambiental contesta a proposta incluída na revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) da Covilhã e considera que a existência do povoamento de sobreiros deverá obrigar a rever a classificação do solo prevista para aquela área.

Segundo a Quercus, a área destinada à expansão do parque industrial inclui, além do povoamento de sobreiros, duas linhas de água e três charcas, numa zona caracterizada pela elevada capacidade de retenção de água e onde existem várias nascentes.

O projeto implicaria ainda a expropriação de dez casas de primeira habitação, cujos moradores seriam retirados para permitir a criação de novos lotes industriais.

Para a Quercus, a necessidade de ampliar o parque industrial não está suficientemente demonstrada. “A necessidade de expansão deve-se ao facto dos atuais proprietários desses lotes estarem a praticar preços que ninguém tem interesse em comprar”, escreve a Quercus em comunicado. “Ao invés de alegar interesse público para expropriar estes lotes industriais ou obrigar os respetivos proprietários a construir, a autarquia prefere destruir uma área natural e expropriar 10 famílias das suas próprias casas.”

Uma das principais críticas da Quercus diz respeito à forma como a presença dos sobreiros é tratada na revisão do PDM.

De acordo com a organização, o povoamento não é identificado na Carta de Condicionantes do município, apesar de o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ter entretanto notificado formalmente a Câmara Municipal da Covilhã sobre a existência das árvores.

O sobreiro (Quercus suber) está protegido pelo Decreto-Lei n.º 169/2001, que estabelece medidas de proteção do sobreiro e da azinheira. O corte ou arranque de sobreiros está condicionado e determinadas situações de abate podem depender de autorização das entidades competentes.

Segundo a Quercus, para que o corte de árvores possa ser autorizado no contexto da expansão do parque industrial, a autarquia terá de demonstrar que não existe uma alternativa viável.

É precisamente neste ponto que a organização ambientalista contesta a proposta municipal. Na sua leitura, a existência de terrenos industriais já urbanizados e ainda sem utilização demonstra que a alegada falta de espaço industrial não está suficientemente fundamentada.

A Quercus questiona ainda o facto de a expansão do Parque Industrial do Tortosendo ser discutida há quase duas décadas. Para a associação, o longo período de concretização da chamada terceira fase do parque põe em causa a alegada urgência da intervenção.

A organização ambientalista apela ao ICNF e à CCDR-Centro para que não autorizem a destruição do povoamento sem que seja demonstrada a inexistência de alternativas e pede aos cidadãos que participem na discussão pública da revisão do PDM.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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