O projeto “Líquenes à Moda do Norte” está a estudar o potencial de utilização destes fungos especiais no restauro ecológico, na certificação florestal e na economia do Nordeste Transmontano.
Os líquenes são organismos compostos que resultam da associação simbiótica entre um fungo e algas ou cianobactérias. São importantes bioindicadores da qualidade do ar, mas podem servir para muito mais do que isto.
Este novo projeto – desenvolvido pela Associação BIOPOLIS e que conta com vários parceiros, incluindo a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural – quer “valorizar e diversificar a utilização destes organismos, beneficiando quer o habitat onde se desenvolvem, nomeadamente os carvalhais do interior Norte do país, quer as comunidades humanas, através da valorização económica de produtos”, explicou a Palombar em comunicado. Entre estes estão produtos de gastronomia, tinturaria e cosmética.
“Através da recolha responsável de líquenes e da sua transformação em matéria-prima, será possível desenvolver produtos de elevado valor acrescentado, alinhados com as tendências atuais de consumo ético e ecológico”, sublinhou, em comunicado, Joana Marques, investigadora do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO da Universidade do Porto e coordenadora do projeto.
Assim, serão “testadas aplicações concretas na gastronomia de autor, com pratos que incorporam líquenes comestíveis; na cosmética natural, como ingredientes de sabonetes e perfumes artesanais; e na tinturaria ecológica, recuperando o uso de líquenes como fonte de corantes naturais e têxteis”, explicou a investigadora, durante o evento público de lançamento do projeto que decorreu a 20 de fevereiro no PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, no distrito de Bragança.
O projeto quer ainda dar uma ajuda no conhecimento que temos sobre os líquenes de Portugal.
“A informação atual sobre as espécies de líquenes que ocorrem no território nacional e a sua distribuição ainda é escassa e dispersa, pelo que este projeto visa igualmente sistematizar esses dados, através da criação da plataforma digital líquenes.pt e da promoção do uso de plataformas de ciência cidadã como o iNaturalist”, explicou a associação.
Este projeto, que decorrerá no Nordeste Transmontano, está estruturado em quatro eixos de ação: a implementação de uma rede colaborativa para mapear a distribuição de líquenes emblemáticos das florestas da região; a realização de ensaios de transplantação de líquenes para restauro ecológico; a utilização dos líquenes enquanto bioindicadores para certificação florestal, nomeadamente certificação FSC – Forest Stewardship Council; e a valorização económica em gastronomia, cosmética e tinturaria natural.
Estão também previstas ações de formação envolvendo as comunidades, bem como formação de liquenólogos.
Este projeto tem ainda como parceiros a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, a VERDE – Associação para a Conservação Integrada da Natureza, a associação ALDEIA, as empresas FLORADATA e BIOMONTANA, e ainda o Centro Ciência Viva de Bragança. Conta com o financiamento da Fundação “la Caixa”, no âmbito do programa PROMOVE.
Saiba mais sobre líquenes nesta reportagem que publicámos em 2018.