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Projeto está a estudar uso dos líquenes no restauro da natureza e cria plataforma digital

25.02.2026
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Líquenes. Foto: Wilder/arquivo

O projeto “Líquenes à Moda do Norte” está a estudar o potencial de utilização destes fungos especiais no restauro ecológico, na certificação florestal e na economia do Nordeste Transmontano.

Os líquenes são organismos compostos que resultam da associação simbiótica entre um fungo e algas ou cianobactérias. São importantes bioindicadores da qualidade do ar, mas podem servir para muito mais do que isto.

Este novo projeto – desenvolvido pela Associação BIOPOLIS e que conta com vários parceiros, incluindo a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural – quer “valorizar e diversificar a utilização destes organismos, beneficiando quer o habitat onde se desenvolvem, nomeadamente os carvalhais do interior Norte do país, quer as comunidades humanas, através da valorização económica de produtos”, explicou a Palombar em comunicado. Entre estes estão produtos de gastronomia, tinturaria e cosmética.

“Através da recolha responsável de líquenes e da sua transformação em matéria-prima, será possível desenvolver produtos de elevado valor acrescentado, alinhados com as tendências atuais de consumo ético e ecológico”, sublinhou, em comunicado, Joana Marques, investigadora do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO da Universidade do Porto e coordenadora do projeto.

Assim, serão “testadas aplicações concretas na gastronomia de autor, com pratos que incorporam líquenes comestíveis; na cosmética natural, como ingredientes de sabonetes e perfumes artesanais; e na tinturaria ecológica, recuperando o uso de líquenes como fonte de corantes naturais e têxteis”, explicou a investigadora, durante o evento público de lançamento do projeto que decorreu a 20 de fevereiro no PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, no distrito de Bragança.

O projeto quer ainda dar uma ajuda no conhecimento que temos sobre os líquenes de Portugal.

“A informação atual sobre as espécies de líquenes que ocorrem no território nacional e a sua distribuição ainda é escassa e dispersa, pelo que este projeto visa igualmente sistematizar esses dados, através da criação da plataforma digital líquenes.pt e da promoção do uso de plataformas de ciência cidadã como o iNaturalist”, explicou a associação.

Este projeto, que decorrerá no Nordeste Transmontano, está estruturado em quatro eixos de ação: a implementação de uma rede colaborativa para mapear a distribuição de líquenes emblemáticos das florestas da região; a realização de ensaios de transplantação de líquenes para restauro ecológico; a utilização dos líquenes enquanto bioindicadores para certificação florestal, nomeadamente certificação FSC – Forest Stewardship Council; e a valorização económica em gastronomia, cosmética e tinturaria natural.

Estão também previstas ações de formação envolvendo as comunidades, bem como formação de liquenólogos.

Este projeto tem ainda como parceiros a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, a VERDE – Associação para a Conservação Integrada da Natureza, a associação ALDEIA, as empresas FLORADATA e BIOMONTANA, e ainda o Centro Ciência Viva de Bragança. Conta com o financiamento da Fundação “la Caixa”, no âmbito do programa PROMOVE.


Saiba mais sobre líquenes nesta reportagem que publicámos em 2018.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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