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Portugal e Espanha juntam-se em projecto para a defesa do montado

18.01.2023
leitura de 2 minutos
Foto: Ardo Beltz/Wiki Commons

O LIFE Scrubsnet tem como objectivo gerir os arbustos e matos que são tão importantes para a biodiversidade destes habitats, informa a Universidade de Évora.

O projecto “LIFE Scrubsnet – Regeneração e melhoria dos montados através da gestão adequada das áreas de mato/arbustos”, que termina em Agosto de 2026, “pretende explorar o potencial da gestão dos matos como forma de regenerar e melhorar o montado e as ‘dehesas’ (homólogas do montado em Espanha)”, anunciou esta quarta-feira a Universidade de Évora, em comunicado.

Em Portugal, este projecto co-financiado pela União Europeia foca-se principalmente em duas herdades alentejanas que fazem parte do sítio de importância comunitária de Monfurado (SIC de Monfurado), na região de Montemor-o-Novo: Terra das Freiras e Grupo de São Mateus. Este SIC estende-se por 23.964 hectares, parte da Rede Natura 2000, com “um claro domínio de montados, extensos e em bom estado de conservação, maioritariamente de sobro mas também de azinho ou mistos em zonas mais restritas”.

Recolher amostras de solo nas duas herdades foi a primeira fase dos trabalhos realizados pelo MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, da Universidade de Évora, uma vez que “o solo é a base de todo o sistema”. “A maioria dos solos no Alentejo é ácida e apresenta uma alta toxicidade por manganês, resultando num solo pouco propício para o crescimento de diversas plantas”, explica a equipa de investigadores, citada no comunicado.

Depois de comprovarem em laboratório “a elevada acidez dos solos recolhidos”, os responsáveis do MED aplicaram calcário dolomítico no solo das duas herdades. Espera-se que na próxima Primavera já se observem os primeiros resultados.

Práticas de gestão intensiva

Os habitats de montado estão espalhados por cerca de 4 milhões de hectares no sudoeste da Península Ibérica, tanto em Espanha como em Portugal, e estão também presentes em Itália. Moldados por “práticas agrícolas tradicionais e extensivas”, têm hoje um estado de conservação desfavorável, “sobretudo devido aos efeitos da intensificação da pecuária que se manifesta nas suas florestas envelhecidas”.

Desta forma, de acordo com a equipa do projecto, “as práticas de gestão intensiva têm consequências profundas nos processos ecológicos que garantem a persistência do habitat a longo prazo, impedem a regeneração das árvores e esgotam a função do solo”. Além disso, acrescentam, a sobrevivência destas florestas é também ameaçada pela disseminação de patógenos exóticos e pelo aumento da seca”, o que representa “um desafio para o manejo desses sistemas que pode resultar em dramáticas consequências sociais, económicas, paisagísticas e de biodiversidade”.

O MED é o único parceiro português deste projecto coordenado pela empresa espanhola Innosgestiona Ambiental, especializada em engenharia ambiental. Do consórcio fazem parte outras nove entidades.

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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