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Novo apagão na Madeira para proteger crias de aves marinhas

23.09.2025
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Freira-da-madeira. Foto: Filipe Viveiros

Todos os anos, na Madeira, a poluição luminosa desorienta juvenis de aves marinhas, levando-os a cair nas cidades. Para reduzir este impacto, a 27 de setembro, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) em parceria com o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) promove um apagão na Madeira, para tornar a noite mais segura para estas aves.

Entre as 20h00 e as 23h00, a população é convidada a juntar-se a esta iniciativa desligando a iluminação exterior das suas casas e edifícios.

De 15 de setembro a 15 de outubro, os juvenis de freira-da-madeira (Pterodroma madeira) realizam os seus primeiros voos. Esta ave marinha endémica da Madeira é uma das mais raras da Europa e encontra-se Criticamente Em Perigo de extinção. 

Freira-da-madeira. Foto: Filipe Viveiros

No caso da cagarra (Calonectris borealis), os seus juvenis saem de 15 de outubro a 15 de novembro, sendo os próximos meses a época mais crítica do ano para estas espécies.

À população madeirense, a SPEA recomenda que mantenha a iluminação exterior reduzida ou até apagada, quando não for necessária, promovendo um caminho mais seguro até ao mar. 

“O apagão, previsto para 27 de setembro, visa proteger especialmente a freira-da-madeira nos seus potenciais corredores de passagem, que ocorrem essencialmente entre Câmara de Lobos e Funchal, e entre Santana e Machico”, explicou a SPEA em comunicado.

Passando a maior parte da vida em alto-mar e regressando a terra apenas durante a época de reprodução, a freira-da-madeira tem as suas colónias restritas aos picos montanhosos da Madeira. “A sua conservação depende não só da proteção destas áreas, mas também dos potenciais corredores de passagem utilizados pelas aves entre os ninhos e as zonas de alimentação, no oceano. Estes trajetos são particularmente vulneráveis à poluição luminosa, que pode desorientar as aves, fazendo com que colidam, caiam em terra ou dificultem o regresso aos ninhos.” 

Freira-da-madeira. Foto: Pedro Nascimento

Se quiser, pode tornar-se um guardião da noite, aderindo ao Galardão “Noite com Vida”, um reconhecimento atribuído a empresas, estabelecimentos ou entidades que implementam boas práticas de redução de iluminação exterior dos seus edifícios. Além de contribuir diretamente para a poupança energética, “possibilita a criação de um ambiente noturno mais equilibrado, benéfico tanto para a preservação das espécies como para o bem-estar humano”. 

Para apoiar esta causa, poderá informar a SPEA através do formulário online. 

O projeto LIFE Natura@night é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia, coordenado pela SPEA, e tem como parceiros a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, a Câmara Municipal do Funchal, a Câmara Municipal de Santa Cruz, a Câmara Municipal de Machico, a Câmara Municipal de Santana, a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, a Direção Regional de Políticas Marítimas, o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, o Instituto de Astrofísica de Canárias, o Instituto Tecnológico de Canárias, a ALARED, a Fluxo de Luz e a Sociedade Espanhola de Ornitologia. O projeto LIFE Freiras é coordenado pelo IFCN, em parceria com a SPEA e XIS Group.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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