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Natureza pode ajudar-nos a enfrentar tempestades extremas, diz SPEA 

30.01.2026
leitura de 2 minutos
Estuário do Tejo. Foto: Joana Bourgard/Wilder

“As tempestades podem não ser evitadas, mas os seus efeitos podem ser atenuados por soluções que trabalham com, e não contra, a natureza”, defende Pedro Neto, diretor-executivo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

A depressão Kristin é o mais recente exemplo das tempestades intensas que têm afetado Portugal. Nos últimos anos, o país tem assistido ao aumento de fenómenos meteorológicos extremos associado às alterações climáticas.

Para agravar a situação, o problema está a ser “amplificado por práticas humanas que degradam os sistemas naturais”, alerta a SPEA, em comunicado.

Por exemplo, a impermeabilização urbana e a destruição das zonas húmidas “eliminaram a capacidade natural de absorção de água, comprometendo a resiliência dos ecossistemas e aumentando significativamente o risco de inundações”.  

Outro problema é quando as podas camarárias enfraquecem as árvores em vez de as proteger. “Contrariamente ao objetivo de segurança, as podas excessivas abrem feridas que dificilmente cicatrizam, funcionando como porta de entrada para agentes patogénicos e facilitando o apodrecimento do tronco.”  

“A forma como temos transformado o território, principalmente nas cidades, tem reduzido drasticamente a resiliência dos nossos ecossistemas naturais e, por isso, também das comunidades humanas,” comentou, em comunicado, Pedro Neto, diretor-executivo da SPEA. “As tempestades podem não ser evitadas, mas os seus efeitos podem ser atenuados por soluções que trabalham com, e não contra, a natureza.”

Soluções baseadas na natureza

Um país mais resiliente depende de implementarmos soluções baseadas na natureza, como por exemplo a valorização de espaços verdes, o restauro ecológico de ribeiras e a gestão qualificada da arborização. 

A SPEA/BirdLife destaca que medidas podem ser tomadas para minimizar os danos deste tipo de fenómenos.

Uma delas é a melhoria de espaços verdes urbanos, como parques, jardins e corredores verdes. Estes aumentam a permeabilidade dos solos, facilitam a retenção e o escoamento natural das águas e reduzem a severidade das inundações em zonas densamente urbanizadas.

Outra medida crucial é o restauro ecológico de ribeiras e margens fluviais.O grande objetivo é “recuperar a estrutura natural das ribeiras em zonas urbanas e periurbanas” para melhorar a capacidade de armazenamento de água, reduzir a erosão do solo e criar corredores verdes, “essenciais para para a regulação da temperatura e para a fauna na cidade como os insetos polinizadores e asaves de jardim”.

Por fim, a organização defende a gestão qualificada dos espaços verdes e das árvores de rua. “Árvores saudáveis, adequadamente plantadas, com copas e raízes equilibradas, servirão para regular a temperatura das cidades e proteger pessoas e bens de ventos fortes. Árvores doentes e maltratadas terão o efeito contrário.” 

“A redução artificial das copas das árvores urbanas não deve ser encarada como uma medida eficaz de prevenção. Uma gestão responsável passa por um planeamento adequado da arborização urbana, com a escolha das espécies certas para cada local, e por uma manutenção baseada em critérios técnicos e científicos, assegurando árvores mais saudáveis, resilientes e seguras”, acrescenta a SPEA. 

De momento, a SPEA tem em curso vários projetos de conservação e de restauro ecológico para reforçar a resiliência dos ecossistemas e das comunidades humanas perante eventos extremos. Entre estes incluem‑se programas de reabilitação de zonas húmidas costeiras, de zonas de turfeiras que actuam na retenção de grandes massas de água, o projeto dos Santuários para as Aves e monitorização de aves como indicadores da saúde dos ecossistemas. 

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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