Um novo estudo liderado pela Universidade de Oxford, publicado na Science, analisou dados de milhares de viagens de pardelas-do-atlântico realizadas nos últimos 20 anos.
As pardelas-do-atlântico (Puffinus puffinus) são aves marinhas que nidificam principalmente em ilhas na parte ocidental do Reino Unido e da Irlanda, mas também noutros locais, como os Açores e a Madeira. Nas suas viagens em busca de alimento para as crias, costumam percorrer centenas de quilómetros em mar aberto, por vezes alcançando destinos que ficam a cerca de 1000 quilómetros para oeste, relativamente às colónias de nidificação.
Com o objetivo de perceber se estas aves marinhas sofrem de ‘jetlag’ – que acontece quando viajamos rapidamente para este ou oeste e os nossos relógios internos ficam dessincronizados por algum tempo – uma equipa de cientistas liderados pela Universidade de Oxford dedicou-se a analisar os dados de seguimento por GPS de 1045 pardelas-do-atlântico obtidos ao longo de 20 anos, relativos a 3688 viagens. Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista Science.
Quando regressam aos seus ninhos, as aves marinhas desta espécie “podem viajar rapidamente em direção a leste atravessando linhas de longitude, movendo-se para lugares onde o sol nasce mais cedo”, descreve a Universidade de Oxford, numa publicação sobre o novo estudo. Ora, de forma semelhante ao que sucede aos humanos quando viajam de avião em direção a oriente, os relógios internos dessas pardelas “podem atrasar-se em relação ao tempo local solar até cerca de uma hora”, detetou a equipa.
Ao analisarem os dados de GPS, os investigadores aperceberam-se de que as aves fazem desvios sistemáticos na direção do voo, consistentes com os efeitos procovados pelo ‘jet lag’ – ou dissincronose – no seu compasso solar. A equipa conclui também que estas pardelas recorrem principalmente à posição do sol para se orientarem durante as viagens – mais do que ao magnetismo da Terra ou às linhas costeiras que avistam enquanto voam.
Ainda assim, uma vez que as aves reajustavam continuamente a rota, a distância percorrida a mais acabava por ser pequena. Por exemplo, uma pardela de regresso de um local de alimentação situado a cerca de 1000 quilómetros, que corrige continuamente o seu percurso, viaja cerca de cinco quilómetros a mais do que seria necessário para voltar ao ninho.
“No entanto, estas descobertas podem ter implicações maiores para animais que percorrem grandes distâncias sem conseguirem corrigir a sua posição continuamente”, alerta a equipa. “Por exemplo, nas aves que realizam a primeira migração, pequenos erros de compasso podem eventualmente acumular-se, levando a que se desviem do destino original em centenas de quilómetros.”
“Os nossos esultados mostram que os animais experienciam o mesmo desacerto do relógio interno que nos sucede a nós, durante o ‘jet lag’. O próximo passo vai ser compreender como é que isso os afeta”, afirmou Patrick Lewin, primeiro autor do estudo e investigador na Universidade de Oxford.