PUB

Madeira: Quercus pede fim do pastoreio e visitação controlada para salvar Fanal

16.09.2025
leitura de 2 minutos
Fanal. Foto: Simo Räsänen/WikiCommons

O Núcleo Regional da Quercus da Madeira está profundamente preocupado com a situação da Zona de Repouso e Silêncio do Fanal. Pede o fim do pastoreio e um controlo da visitação.

“A situação é de tal modo grave que se torna revoltante assistir a uma morte lenta deste extraordinário património natural”, escreveu a organização em comunicado. 

Fanal. Foto: Paulo SP/WikiCommons

Um dos problemas do Fanal – incluído integrados na mancha de Floresta Laurissilva classificada como Património Mundial Natural, na Rede Natura 2000 e em área de Parque Natural da Madeira – é o do pastoreio livre de vacas naquela zona de árvores centenárias. “Tis (Ocotea foetens) centenários insistem em sobreviver, mas os seus rebentos são logo devorados pelo gado que pasta livremente.”

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza questiona-se por que razão “a Secretaria Regional do Turismo, Cultura e Ambiente e o IFCN (Instituto de Florestas e Conservação da Natureza) não tomam medidas para proteger este património? Por que razão não é impedido o pastoreio nesta área protegida e frágil?” 

Mas há outros problemas nesta floresta do município de Porto Moniz, onde também crescem outras espécies de árvores, pequenos musgos, líquenes e fetos. Um deles é a “visitação excessiva”.

“Do elevado número de visitantes resulta um parqueamento automóvel que excede a capacidade dos dois parques de estacionamento existentes e, ao longo das bermas da estrada, aglomeram-se veículos de aluguer e todo-o-terreno repletos de turistas. Em simultâneo, são dezenas e dezenas de visitantes que pisam o solo desta reserva, percorrendo-a a seu bel-prazer, sem que haja trilhos definidos. É ver gente empoleirada em tis centenários, para se fotografar, sem que qualquer vigilância os impeça.” 

Fanal. Foto: Simo Räsänen/WikiCommons

A Quercus salientou que, “em algumas áreas, o pisoteio é de tal ordem que já não se observam herbáceas e o solo nu, compactado e impermeabilizado, não permite a infiltração da água”.

Noutros locais, também pelo excessivo pisoteio, “as raízes destas extraordinárias árvores encontram-se expostas, vulneráveis ao que se passa à superfície”. 

Por isso, a organização defende que se determine a capacidade de carga para esta e outras áreas protegidas, “de modo a zelar pela sua integridade e conservação”.

Face a esta realidade, a direção do Núcleo Regional da Madeira da Quercus propõe-se colaborar com o IFCN e com a Secretaria Regional do Turismo, Cultura e Ambiente, de modo a definir a capacidade de carga para a visitação na área, criar percursos pedonais delimitados e sinalizados, reforçar a vigilância e a sensibilização dos visitantes, avaliar alternativas de estacionamento que respeitem a capacidade do local e implementar medidas para limitar o pastoreio em áreas sensíveis.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca