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Lontra avistada na Serra de Sintra depois de décadas de ausência

24.07.2026
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Imagem: PSML

Uma lontra (Lutra lutra) foi recentemente detetada na Serra de Sintra depois de não haver registos confirmados da espécie naquela região há várias décadas, revelou a empresa Parques de Sintra.

A lontra foi avistada no âmbito do projeto de foto-armadilhagem que está a monitorizar a fauna no Parque da Pena e na Tapada do Mouco, áreas sob gestão da Parques de Sintra – Montes da Lua.

Imagens com data de abril e de julho deste ano mostram esta espécie naquela região.

Imagem: PSML

“Trata-se do primeiro registo confirmado desta espécie no interior da Serra de Sintra em várias décadas”, escreve a empresa em comunicado.

A lontra, espécie classificada como Pouco Preocupante no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental, vive em rios, ribeiras, lagos, pauis e pequenas albufeiras de norte a sul do território continental.

A sua presença no interior da Serra de Sintra não era confirmada há muitos anos.

“Nesta fase, ainda não é possível determinar se as imagens captadas desta lontra correspondem a um indivíduo de passagem ou a um animal residente”, explicou João Sousa Rego, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra.

Imagem: PSML

Ainda assim, acredita que este avistamento é “um importante indicador biológico da qualidade dos habitats existentes no Parque da Pena e da boa condição ecológica dos ecossistemas que integram a Paisagem Cultural e o Parque Natural de Sintra-Cascais”.

Os habitats ideais para a presença da lontra incluem disponibilidade de água e presas – peixes e crustáceos e em menor proporção anfíbios, répteis, aves, pequenos mamíferos e invertebrados aquáticos -, uma adequada cobertura de vegetação, existência de refúgios e reduzida poluição aquática e perturbação humana, apontam os especialistas citados pelo Livro Vermelho dos Mamíferos. 

O responsável aproveitou para revelar que este ano a empresa vai dedicar cinco milhões de euros às áreas da biodiversidade e resiliência climática. Uma das prioridades é a “vertente científica, que é fundamental para aprofundar o conhecimento dos ecossistemas, avaliar a eficácia das medidas em curso e apoiar decisões de gestão.”

A monitorização realizada no Parque da Pena e na Tapada do Mouco revelou outras espécies de hábitos noturnos, como texugos, ginetas e raposas.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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