Uma lontra (Lutra lutra) foi recentemente detetada na Serra de Sintra depois de não haver registos confirmados da espécie naquela região há várias décadas, revelou a empresa Parques de Sintra.
A lontra foi avistada no âmbito do projeto de foto-armadilhagem que está a monitorizar a fauna no Parque da Pena e na Tapada do Mouco, áreas sob gestão da Parques de Sintra – Montes da Lua.
Imagens com data de abril e de julho deste ano mostram esta espécie naquela região.

“Trata-se do primeiro registo confirmado desta espécie no interior da Serra de Sintra em várias décadas”, escreve a empresa em comunicado.
A lontra, espécie classificada como Pouco Preocupante no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental, vive em rios, ribeiras, lagos, pauis e pequenas albufeiras de norte a sul do território continental.
A sua presença no interior da Serra de Sintra não era confirmada há muitos anos.
“Nesta fase, ainda não é possível determinar se as imagens captadas desta lontra correspondem a um indivíduo de passagem ou a um animal residente”, explicou João Sousa Rego, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra.

Ainda assim, acredita que este avistamento é “um importante indicador biológico da qualidade dos habitats existentes no Parque da Pena e da boa condição ecológica dos ecossistemas que integram a Paisagem Cultural e o Parque Natural de Sintra-Cascais”.
Os habitats ideais para a presença da lontra incluem disponibilidade de água e presas – peixes e crustáceos e em menor proporção anfíbios, répteis, aves, pequenos mamíferos e invertebrados aquáticos -, uma adequada cobertura de vegetação, existência de refúgios e reduzida poluição aquática e perturbação humana, apontam os especialistas citados pelo Livro Vermelho dos Mamíferos.
O responsável aproveitou para revelar que este ano a empresa vai dedicar cinco milhões de euros às áreas da biodiversidade e resiliência climática. Uma das prioridades é a “vertente científica, que é fundamental para aprofundar o conhecimento dos ecossistemas, avaliar a eficácia das medidas em curso e apoiar decisões de gestão.”
A monitorização realizada no Parque da Pena e na Tapada do Mouco revelou outras espécies de hábitos noturnos, como texugos, ginetas e raposas.