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Lisboa recebe em 2027 a maior conferência mundial sobre recuperação de ecossistemas

31.10.2025
leitura de 2 minutos
Foto: Joana Bourgard

Candidatura do consórcio português selecionada por comissão
internacional de peritos foi apresentada no início deste mês nos
Estados Unidos.

Lisboa vai receber em setembro de 2027 a 12ª Conferência Mundial de Restauro Ecológico (World Conference on Ecological Restoration – SER2027), a mais importante conferência do mundo dedicada à recuperação de ecossistemas degradados.

Pela primeira vez em Portugal, o evento reunirá mais de mil participantes de todo o mundo, desde investigadores, decisores políticos e empresários a organizações não-governamentais e membros da sociedade civil.

A candidatura nacional foi alavancada por um consórcio liderado pela cientista Alice Nunes em representação da Universidade de Lisboa, Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO) e da delegação europeia da Sociedade para o Restauro Ecológico (SER-Europe).

“Sendo o restauro dos ecossistemas tema central no combate às crises climática e da biodiversidade, sustentabilidade socioeconómica e na saúde e bem-estar das gerações atuais e futuras, a realização da conferência em
Lisboa é da maior relevância e extremamente oportuna no contexto nacional e internacional”, comentou, em comunicado, Alice Nunes, copresidente da SER2027. “Contamos que a contemporaneidade e urgência do tema galvanize a comunidade científica, parceiros económicos, decisores políticos e sociedade nacionais em torno do Restauro da Natureza e dos Ecossistemas.”

Em 2023, a conferência realizou-se em Darwin, na Austrália, e em 2025 em Denver, nos Estados Unidos. Em 2027 será a vez de Lisboa, segundo o anúncio feito em Denver no início deste mês.

“A escolha de Lisboa reflete não apenas a qualidade científica da candidatura, mas também o papel crescente de Portugal no domínio do restauro ecológico”, segundo um comunicado divulgado hoje pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

“O país distingue-se pela diversidade dos seus ecossistemas – dos montados e estepes do Alentejo às montanhas da Serra da Estrela, das zonas húmidas do Tejo, da Ria Formosa e da Ria de Aveiro às manchas de floresta Laurissilva dos Açores, passando por soluções inovadoras em meio urbano – onde decorrem projetos de referência para a recuperação de habitats, combate à desertificação, resiliência às alterações climáticas, restauro pós-incêndio e proteção de espécies ameaçadas.”

A conferência, que terá lema “Restoration in Motion: From Land to Sea, Knowledge to Action“, pretende ser um fórum global de encontro e partilha de experiências. A iniciativa quer “unir o conhecimento académico ao saber das comunidades locais, a visão das empresas à inovação tecnológica e a sociedade civil aos decisores políticos, com vista a políticas públicas mais eficazes e robustas”.

O evento vai acontecer ainda durante a Década das Nações Unidas para o Restauro de Ecossistemas (2021-2030) e num momento em que a Lei Europeia de Restauro da Natureza e os esforços nacionais deverão começar a mostrar os seus primeiros resultados concretos.

Alice Nunes é investigadora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, coordenadora da Rede de Restauro Ecológico da SPECO, representante da Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza no Grupo de Trabalho dedicado ao desenvolvimento do Plano Nacional de Restauro, sob coordenação do Instituto para a Conservação da Natureza
e das Florestas (ICNF), e ainda Vice-Presidente da SER-Europe.

A organização da conferência integra ainda as investigadoras Cristina Branquinho e Patricia Rodríguez-González, ambas da Universidade de Lisboa, e conta com o apoio internacional das delegações Africana, Iberoamericana e Caraíbas, e da Australásia da SER, e nacional do Ministério do Ambiente e Energia, Governo Regional dos Açores, ICNF e Câmara Municipal de Lisboa.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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