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Incêndios: Organizações falam em tragédia e pedem pacto nacional climático para Espanha

28.07.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Helena Geraldes/Wilder

Com cerca de 170 mil hectares ardidos, Espanha enfrenta uma verdadeira “tragédia”. Cinco das principais organizações ambientalistas pediram esta terça-feira um acordo entre todas as forças políticas para enfrentar a emergência climática.

Mais de 170 mil hectares arderam em Espanha desde o início do ano, seis vezes mais do que no ano passado até à mesma data. Os incêndios que atualmente afetam as regiões de Madrid, Ávila e Castellón obrigaram a retirar ou a confinar cerca de 100.000 pessoas.

Num comunicado conjunto, as organizações Amigos da Tierra, Ecologistas en Acción, Greenpeace, SEO/BirdLife (Sociedade Espanhola de Ornitologia) e a WWF Espanha defendem que a resposta aos grandes incêndios deve ir além da gestão das emergências e traduzir-se em compromissos políticos duradouros para reduzir os riscos associados às alterações climáticas.

O país, dizem, deve conseguir chegar um compromisso que ultrapasse ciclos eleitorais e diferenças partidárias, em resposta a uma crise que consideram estar a afetar todo o território espanhol.

O apelo surge também num momento em que as autoridades espanholas prevêem uma nova vaga de calor para esta quarta-feira, aumentando o risco de novos incêndios de grande dimensão.

“As condições que favorecem a propagação e a intensidade dos incêndios estão a agravar-se”, alertam as organizações, que apontam o aumento das temperaturas, as secas prolongadas e o stress hídrico da vegetação como fatores diretamente relacionados com as alterações climáticas.

Além da destruição de habitações e infraestruturas, as associações recordam o impacto dos incêndios sobre a biodiversidade, salientando que muitos dos ecossistemas afetados poderão demorar décadas ou mesmo séculos a recuperar.

As organizações defendem que a solidariedade demonstrada pela sociedade durante as catástrofes deve transformar-se num compromisso permanente de prevenção e adaptação. Nesse sentido, consideram positiva a proposta de um Pacto de Estado, apresentado em setembro de 2025, para responder à emergência climática, uma reivindicação que dizem apresentar há várias legislaturas.

Depois de visitar as zonas afetada pelo incêndio em La Vall d’Uixó (Castellón), o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu “um pacto de Estado para enfrentar a emergência climática”, que permita ao país estar “mais prevenido e mais preparado”.

As cinco organizações sublinham que o futuro acordo deverá incluir “compromissos concretos: objetivos verificáveis, calendários de aplicação, financiamento suficiente, coordenação entre administrações, avaliação periódica de resultados e mecanismos estáveis de participação pública”.

O comunicado destaca igualmente os impactos das ondas de calor na saúde pública. De acordo com dados citados do Ministério da Saúde espanhol, estima-se que 3.832 pessoas tenham morrido em 2025 devido ao excesso de temperatura. Entre 2015 e 2025, o número acumulado ascende a 27.564 mortes.

As organizações saudaram ainda o anúncio da criação de um Painel Científico de Ação perante a Emergência Climática, destinado a apoiar as decisões públicas com base em conhecimento científico independente. Defendem, porém, que este organismo deve funcionar com autonomia, articular-se com as estruturas já existentes e dispor de recursos suficientes.

“A emergência climática não pode ser tratada de forma isolada, uma vez que está estreitamente ligada à perda de biodiversidade e à poluição”, recordam as cinco organizações.

Estas defendem que “proteger e restaurar florestas, rios, zonas húmidas, zonas costeiras e solos aumenta a capacidade do território para resistir às vagas de calor, inundações, secas e incêndios”. Por isso, pedem políticas integradas que “promovam o restauro ecológico, reduzam a dependência dos combustíveis fósseis, revertam o abandono rural e acelerem uma transição energética justa e respeitosa com a natureza”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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