De nacionalidade italiana, o homem tinha chegado ao aeroporto de Turim vindo de Miami, e é suspeito de violar as regras internacionais que proibem o comércio de espécies protegidas e ameaçadas, anunciaram as autoridades italianas.
Não é todos os dias que é encontrada uma cabeça de crocodilo quando se revistam malas de viagem num aeroporto, mas foi isso mesmo que aconteceu este verão no aeroporto de Caselle, em Turim, anunciou a unidade regional da polícia italiana que investiga delitos e crimes financeiros, a Guardia di Finanza.
Segundo uma nota de imprensa divulgada pela Guardia di Finanza de Turim, o dono da bagagem é italiano e tinha chegado ao aeroporto vindo da cidade norte-americana de Miami, na Flórida – uma região conhecida pelos seus crocodilos – num voo que tinha feito também escala na cidade turca de Istambul.
O suspeito, que estaria a regressar de umas férias no sul dos Estados Unidos, foi mantido em liberdade mas teve de pagar uma multa. Foi colocado sob investigação por suspeita de importação de um espécime de espécie protegida sem o certificado ou licença exigidos, indica também a nota de imprensa.
Se for condenado, enfrenta uma possível multa de 20.000 a 200.000 euros ou uma pena de prisão, que pode ir de seis meses a um ano.
Quanto à cabeça de crocodilo, pertence a uma espécie classificada como ameaçada de extinção. “A cabeça do réptil estava seca e embrulhada em papel de embalagem comum, numa tentativa de burlar os controles de segurança no país de origem”, relata a Guardia di Finanza de Turim.
Os crocodilos são uma das espécies protegidas pela Convenção de Washington (CITES), uma convenção internacional em vigor desde 1975 ratificada por mais de 180 países, incluindo Portugal, que protege animais e plantas em risco de extinção de serem comercializados a nível internacional.
A Itália é considerada um dos principais pontos de passagem no comércio ilegal de animais protegidos, muitas vezes ligado à atividade de organizações criminosas, indica por sua vez o The Guardian, numa notícia sobre o que aconteceu em Turim.
Mas por vezes – ressalva o jornal britânico – casos como este podem acontecer por descuido ou desconhecimento de turistas, que adquirem as cabeças de crocodilo como lembrança de férias, desconhecendo que a sua comercialização está proibida por uma convenção internacional.
A descoberta feita no aeroporto não aconteceu por acaso, refere também a força policial italiana. Ocorreu no âmbito da intensificação das inspeções realizadas no aeroporto de Turim durante o verão, tendo como alvo o comércio de espécies protegidas e ameaçadas de extinção, “devido ao aumento do fluxo de passageitos provenientes de destinos considerados ‘exóticos'”. Tratou-se de uma ação conjunta com a Agência de Alfândegas e Monopólios (Agenzia delle Dogane e dei Monopoli, no original), que se focou “em voos considerados de alto risco” – como aconteceu com esta ligação aérea que tinha tido origem em Miami.