PUB

Estudo quantifica pela primeira vez os benefícios que as aves de Espanha proporcionam às pessoas

18.02.2026
leitura de 1 minuto
Melro-preto (Turdus merula). Foto: Manfred Richter/Pixabay

Investigadores espanhóis desenvolveram o ServiBirds, a primeira base de dados que quantifica os serviços ecossistémicos que as 378 espécies de aves nativas de Espanha proporcionam às pessoas e ao ambiente.

O estudo, publicado na revista Ardeola: International Journal of Ornithology, apresenta o ServiBirds, uma ferramenta que avalia o papel ecológico, cultural e económico de 378 espécies de aves pertencentes a 73 famílias.

O trabalho, liderado por Esther Sebastián-González, do Departamento de Ecologia da Universidad de Alicante (UA), analisa 12 tipos de serviços ecossistémicos — de provisão, regulação e culturais — que as aves oferecem à sociedade. Entre eles incluem-se o controlo de pragas, a dispersão de sementes, a reciclagem de matéria orgânica, o valor estético, artístico e ecoturístico, bem como a sua importância como espécies cinegéticas ou simbólicas.

“As aves são essenciais para o bem-estar humano: regulam processos ecológicos fundamentais e, além disso, inspiram a nossa cultura, a arte e o turismo”, explicam os autores no estudo, em comunicado.

A análise mostra que todas as espécies de aves fornecem algum tipo de serviço ecossistémico e que mais de 60% contribuem para quatro ou mais serviços distintos.

Entre as espécies mais relevantes destacam-se a pega-rabuda (Pica pica) e o melro-preto (Turdus merula), que proporcionam múltiplos serviços de regulação, e o grifo (Gyps fulvus) que sobressai pelo seu papel na eliminação de carcaças de animais mortos.

No domínio cultural, espécies como a perdiz (Alectoris rufa), a águia-real (Aquila chrysaetos) ou o pintassilgo (Carduelis carduelis) destacam-se pela sua relevância estética, artística e ecoturística.

O estudo sublinha que o valor das aves vai além da biodiversidade, tendo também repercussões económicas e sociais, especialmente no turismo ornitológico.

“O ServiBirds permite-nos identificar quais são as espécies-chave para a manutenção dos ecossistemas e como a sua conservação tem impacto direto na qualidade de vida humana”, acrescentam os investigadores.

Além de oferecer um quadro de referência para Espanha, a abordagem do ServiBirds pode ser aplicada noutras regiões e a outros grupos taxonómicos, servindo como ferramenta para gerir e conservar a biodiversidade de forma mais eficaz.

O estudo integra o volume de janeiro recentemente publicado da Ardeola: International Journal of Ornithology, a revista científica que a Sociedade Ornitológica Espanhola (SEO/BirdLife) publica desde 1954. A base de dados pode ser descarregada aqui.

O trabalho foi desenvolvido por investigadores da UA, da Universidad Miguel Hernández de Elche (UMH) e do Centre de Ciència i Tecnologia Forestal de Catalunya (CTFC).

O estudo integra o projeto CHAN-TWIN, financiado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades de Espanha com fundos NextGeneration (TED2021-130890B-C21).

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca