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Está a ser criada na Serra da Estrela uma rede de aceleração de serviços da natureza

26.12.2025
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Covão d'Ametade, na Serra da Estrela. Foto: Hurtuv/Wiki Commons

O projeto SerE+, que começou em novembro, criou uma rede de parceiros para promover o restauro da natureza na região da Serra da Estrela e promover uma maior qualidade de vida das populações em seis concelhos.

O projeto SerE+ – Rede de Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela arrancou em novembro e vai promover a conservação dos valores naturais e o restauro ecológico na região da Serra da Estrela.

“O objetivo é acelerar os serviços de ecossistemas locais, aumentar a resiliência do território face às alterações climáticas, promovendo uma maior qualidade de vida e gerando um maior equilíbrio entre as comunidades e o meio natural e mais sustentabilidade para a economia regional”, segundo um comunicado da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural. Esta organização não governamental de ambiente é a coordenadora do projeto.

O SerE+ está a ser implementado por um consórcio coordenado pela Palombar, envolvendo mais três entidades: o CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; o Município de Seia, através do Centro de Interpretação da Serra da Estrela e a Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas M.P. (CSIC), através da Estação Biológica de Doñana, de Espanha.

As ações principais do projeto incluem a identificação das áreas prioritárias de alto valor natural para a conservação, com maior potencial para medidas de restauro ecológico e aceleração de serviços da natureza; a avaliação, quantificação e mapeamento dos serviços de ecossistemas, que contará com o envolvimento e participação de agentes locais e partes interessadas; a delimitação da rede de Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela, com validação in situ; criação de um Web SIG interativo de acesso livre e um estudo de valoração económica não financeira de serviços de ecossistemas, bem como ações de restauro ecológico numa área-piloto no concelho de Seia.

“O projeto SerE+ representa a oportunidade inequívoca de colocar, finalmente, a conservação da natureza ao lado do progresso e do desenvolvimento regional da Serra da Estrela, com base em princípios de sustentabilidade”, comentou Pedro Horta, investigador na Palombar e coordenador do projeto.

Através de medidas de conservação e restauro ambiental, as Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela funcionarão como microreservas de biodiversidade e territórios-fonte de serviços ecossistémicos para as áreas geográficas limítrofes, tais como a regulação climática, polinização – essencial à produção alimentar -, purificação da água e do ar, controlo de doenças e pragas, promoção de bem-estar em espaço natural, suporte à biodiversidade, sequestro de carbono, entre outros. Estes serviços, salientou a Palombar, “geram benefícios tangíveis para as pessoas, natureza e economia regional”.

O projecto é apoiado pelo Programa Promove da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e decorrerá no período 2025 – 2028, abrangendo os concelhos integrantes do Parque Natural da Serra da Estrela, nomeadamente, Seia, Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda e Manteigas.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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