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Espanha: Condenado a um ano de prisão pela morte de quatro íbis-eremitas

24.09.2025
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Foto: Len Worthington

Proprietário do terreno onde ocorreram os tiros foi julgado em Badajoz, por um delito contra a fauna. Terá ainda de pagar uma multa de 20.000 euros.

Um habitante de Montemolín, em Badajoz, perto da fronteira com o Alto Alentejo, foi condenado pela morte de quatro íbis-eremitas em agosto de 2019.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela SEO/Birdlife, ONG de ambiente espanhola dedicada à conservação das aves, e diz respeito a uma das aves mais ameaçadas do mundo, com uma única população selvagem viável em Marrocos – com 200 casais e 700 indivíduos – e uma pequena população reprodutora na Andaluzia.

O homem que foi condenado é proprietário dos terrenos onde foram efetuados os disparos que levaram à morte destas quatro aves. Além de ser condenado a um ano de prisão e ao pagamento de 20.000 euros à Junta da Andaluzia, fica também inabilitado de caçar e pescar durante 35 meses.

“A SEO/Birdlife, que exerceu o direito de acusação popular no processo, valoriza muito positivamente esta resolução, que reconhece a gravidade da caça ilegal de espécies protegidas e a necessidade de respeitar as normas que velam pela sua conservação”, afirma em comunicado a organização.

Foi em agosto de 2019 que um grupo de cinco íbis-eremitas juvenis, nascidas no âmbito de um projeto de reintrodução da espécie, realizou um voo de dispersão a partir do único núcleo reprodutor destas aves em Espanha, localizado na região de Cádiz, deslocando-se até Montemolín. A investigação das autoridades ajudou a localizar os corpos destas aves, quatro delas com sinais claros de terem sido abatidas por espingardas de ar comprimido.

“A perda destes exemplares juvenis é um grande revés para o projeto de conservação, que quando aconteceram estes factos contava com 21 casais em liberdade em Espanha”, nota a ONG espanhola.

“A condenação pela morte de quatro íbis-eremitas, uma espécie que apenas há uns anos saiu do estatuto de Criticamente em Perigo, é um passo imprescindível para garantir o cumprimento da legislação ambiental e a proteção da biodiversidade”, reagiu David de la Bodega Zugasti, da área de Governança Ambiental da SEO/Birdlife.

“A perseguição penal destes delitos e, sobretudo, fomentar uma cultura de respeito para com a vida silvestre, são essenciais para dissuadir agressões futuras e para que a sociedade tome consciência do valor das nossas espécies mais ameaçadas.”

Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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