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CTT lançam coleção de selos dedicada às cigarras de Portugal

19.06.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Marcello Consolo/Wiki Commons

A nova emissão filatélica sobre as cigarras em Portugal, feita com a ajuda do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e lançada a 19 de junho, celebra seis espécies, ilustradas por seis ilustradoras naturalistas portuguesas.

Para esta coleção de selos, com a direção científica de Gonçalo J. Costa, foram escolhidas as seis espécies de cigarras “que melhor representam a diversidade de formas, cantos, habitats, mas também ameaças, das nossas cigarras”, escreveram os CTT – Correios de Portugal em comunicado.

O cegarregão (Lyristes plebejus), a maior cigarra da Europa, é uma destas seis espécies e foi ilustrada por Davina Falcão.

Esta espécie ocorre maioritariamente nos distritos de Santarém, Coimbra e Portalegre, com populações muito pequenas e fragmentadas. O seu canto, que lembra uma panela de pressão, pode ser ouvido entre junho e agosto. Esta cigarra, que prefere árvores altas para cantar, é uma espécie vulnerável, especialmente aos grandes fogos florestais, recorrentes no centro do país.

A cigarra-comum (Cicada orni), aqui ilustrada por Luísa J. Crisóstomo, é a espécie mais reconhecida e comum em Portugal.

É também das poucas espécies que resiste à urbanização, em locais arborizados das cidades de norte a sul do país. Podemos ouvir o seu canto “che-che-che” de junho a outubro.

Rita Cortez ilustrou o cegarregão-abelhudo (Hilaphura varipes), uma espécie rara, pouco estudada e ameaçada.

As poucas populações conhecidas, pequenas e esparsas, encontram-se no centro/sul do país, em prados com pouca vegetação arbustiva. Esta cigarra canta entre maio e junho.

A cigarra-de-Maria (Tettigettalna mariae) calhou à ilustradora Carolina M. Correia e é uma espécie quase restrita à costa central do Algarve.

Está ameaçada pela forte pressão urbanística, especialmente na Quinta do Lago, Vale do Lobo, Quarteira e Vilamoura. Tem preferência por pinhais costeiros de pinheiro-manso, onde canta entre junho e agosto. O seu canto lembra um aspersor de rega.

A timpanista-compositora (Tympanistalna gastrica), ilustrada por Cristina Espírito Santo, é uma cigarra com um canto muito particular e ritmado que lembra música techno.

É uma cigarra pequena que canta de maio a julho, em habitats com predominância de arbustos ou garrigues. Forma populações abundantes no centro-oeste do país.

Por fim, a cigarra-verde-do-Alentejo (Euryphara contentei).

Esta espécie, ilustrada por Joana C. Carvalho, é uma das cigarras mais pequenas da Europa. É endémica da Península Ibérica, praticamente restrita ao alto Alentejo, e é também das cigarras mais ameaçadas a nível europeu. Vive em prados nativos e em bermas de estrada, sendo ameaçada pela lavoura do solo e uso de pesticidas. O seu canto, ouvido de maio a julho, é contínuo e subtil, difícil de ouvir.

Segundo os CTT, o objetivo desta emissão filatélica é “dar a conhecer estes pequenos insetos que tanto preenchem os nossos dias de verão, mas que iludem o nosso olhar”.

Os seis selos têm uma tiragem de 40 mil exemplares cada e as obliterações de primeiro dia podem ser feitas nas Lojas CTT do Chiado, em Lisboa, Palácio dos Correios, no Porto, Zarco, no Funchal, Antero de Quental, em Ponta Delgada, e em Angra do Heroísmo.

Actualmente estão descritas 13 espécies de cigarras em Portugal.

Logo a partir de maio, mas com mais intensidade nos meses de verão, as cigarras emergem do solo onde se desenvolveram durante vários anos como ninfas, enquanto se alimentavam da seiva das árvores através das raízes.

Depois de emergirem do solo, os machos procuram um local mais alto – pode ser o caule de uma planta ou o topo de uma árvore, dependendo das espécies – e cantam sem parar ao longo de várias semanas. O objectivo é atrair as fêmeas para o acasalamento.

Cada espécie canta com ritmos e frequências diferentes, mais graves ou agudas, o que ajuda as fêmeas – e também os cientistas que estudam as cigarras – a reconhecer os machos da mesma espécie.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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