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Crocodilo marinho descoberto em Angola sobreviveu à extinção dos dinossauros

05.08.2025
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Arthur Maréchal com o espécime na base da descrição da nova espécie. Foto: João Lima

Uma equipa internacional de paleontólogos descobriu um fóssil a partir do qual descreveu uma nova espécie de crocodilo marinho que viveu no sul de Angola. Este réptil conseguiu sobreviver ao evento catastrófico que exterminou os dinossauros há 66 milhões de anos.

O fóssil, parte do crânio, foi escavado em 2017 junto à localidade de Bentiaba, na província do Namibe, sul de Angola, por uma equipa internacional de paleontólogos liderada por Arthur Maréchal, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT.

Num artigo científico publicado em Julho na Zoological Journal of the Linnean Society, os investigadores anunciam a descoberta deste novo crocodilo marinho pré-histórico. Pertence à família Dyrosauridae, um grupo de grandes répteis marinhos aparentados com os crocodilos modernos.

O exemplar foi preparado no Museu da Lourinhã. “A análise dos ossos fossilizados permitiu posicionar o animal na subfamília Hyposaurinae, revelando um focinho alongado adaptado à vida marinha”, explicou a NOVA FCT em comunicado enviado hoje à Wilder.

Trata-se de um dos mais antigos e meridionais representantes já identificados deste grupo, com características que comprovam a sua presença bem antes da extinção em massa que ocorreu há 66 milhões de anos.

“O que descobrimos sugere que estes crocodilos marinhos não só sobreviveram ao evento catastrófico que exterminou os dinossauros, como já estavam bem estabelecidos nos mares do sul antes disso”, comentou, em comunicado, Arthur Maréchal, investigador da NOVA FCT. “Esta descoberta oferece uma nova perspetiva sobre a resiliência da vida nos oceanos em períodos de crise global.”

A equipa de investigadores acredita que esta nova espécie desafia a teoria de que os Dyrosauridae apenas floresceram após a extinção dos dinossauros. Sugere que a ausência de registos anteriores poderá dever-se a um registo fóssil incompleto.

Bentiaba, na costa angolana, é um local de reconhecida importância para a paleontologia marinha africana. Ali, as rochas ainda guardam vestígios de répteis marinhos antigos, como mosassauros, plesiossauros e agora parentes de crocodilos.

Este local está a ajudar os paleontólogos a conhecer melhor a evolução e sobrevivência da vida marinha no final do período Cretácico. Os especialistas “estão a obter vislumbres raros dos ecossistemas do Atlântico Sul antes de um dos pontos de viragem mais dramáticos na história do nosso planeta em mudança”, segundo o mesmo comunicado.


Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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