PUB

Conservacionista portuguesa premiada internacionalmente é a nova diretora executiva da LPN

05.09.2025
leitura de 1 minuto
Coruja-das-torres. Foto: Carlos Delgado/WikiCommons

Estrela Matilde, bióloga com mais de 15 anos de experiência em gestão de projetos e equipas na área da proteção da natureza, assume agora a assume direção executiva da Liga para a Protecção da Natureza, a mais antiga associação de ambiente portuguesa, a caminho dos 80 anos de existência.

Até fevereiro de 2024, Estrela Matilde assumia a posição de diretora executiva da Fundação Príncipe, onde liderou uma equipa dedicada a projetos de conservação da biodiversidade, desenvolvimento económico e social das comunidades da ilha do Príncipe.

Ao longo dos 11 anos em que viveu neste pequeno território ao largo da costa Atlântica de África, a bióloga acumulou distinções e prémios que a consagram como uma das profissionais mais reconhecidas em todo o mundo. Com sentimento de missão cumprida, regressa a Portugal para abraçar um novo desafio: assumir a posição de Diretora Executiva da Liga para a Protecção da Natureza.

O seu trabalho não passou despercebido e foi distinguido ao longo dos anos. Em 2018 foi agraciada em Portugal com o prémio Terre de Femmes da Fundação Yves Rocher e, em 2022, com a Menção Honrosa na categoria Inspiração, dos prémios VISÃO + Grupo Águas de Portugal.

No mesmo ano, chegou o reconhecimento internacional com a atribuição do Whitley Award, considerado um dos mais prestigiados galardões mundiais na área da conservação. Este prémio, muitas vezes apelidado de “Óscar do Ambiente”, veio confirmar a relevância e impacto global do trabalho desenvolvido a partir da pequena ilha africana.

Para Estrela Matilde, o maior legado foi humano: a capacitação de líderes locais capazes de dar continuidade ao trabalho da Fundação. Como recorda: “O meu sonho era acordar um dia e sentir que já não era necessária, que tinha cumprido a minha missão e podia deixar a organização entregue a pessoas competentes e comprometidas”, segundo um comunicado da LPN.

Esse dia chegou em 2024, quando regressou a Portugal pronta para novos desafios. “Quando decidi regressar, movia-me um sonho renovado de encontrar a minha nova ‘ilha’ no mundo da conservação em Portugal, uma organização onde me pudesse entregar de alma e coração pela proteção da natureza no meu país.”

Agora, à frente da LPN, Estrela Matilde diz que deseja “honrar a história desta que é a mais antiga ONG da Península Ibérica”, e comprometer-se, com os olhos postos no futuro, a “trabalhar para o contínuo crescimento e impacto da Liga para a Protecção da Natureza”.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

Não perca