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Comunidade vai ajudar a criar o primeiro inventário da biodiversidade de duas aldeias da Serra da Estrela

31.07.2026
leitura de 2 minutos
Saída de campo ao Soito das Veredas. Foto: Veredas da Estrela

Habitantes, visitantes e especialistas vão unir-se este verão para começar a construir um inventário participativo da biodiversidade de Figueiró e Freixo da Serra, duas aldeias de montanha do concelho de Gouveia. O projecto arranca com duas saídas de campo, que convidam os participantes a descobrir morcegos, aves nocturnas, pequenos invertebrados e muitos outros grupos de espécies.

A iniciativa é promovida pela Associação Veredas da Estrela, em parceria com o CERVAS e o Estrela Geopark, no âmbito do projecto De Monte a Monte – Territórios Resilientes.

As espécies observadas serão registadas na plataforma de ciência cidadã iNaturalist, permitindo criar um retrato cada vez mais completo da biodiversidade das duas aldeias.

Saída de campo ao Soito das Veredas. Foto: Veredas da Estrela

Os novos registos irão juntar-se ao levantamento realizado em 2025 no Soito da Veredas da Estrela e são o primeiro passo para um inventário vivo, que a organização pretende continuar a desenvolver nos próximos anos com o contributo da comunidade.

“Quanto melhor conhecemos a biodiversidade que nos rodeia, melhor a conseguimos proteger”, comentou, em comunicado Corinna Lawrenz, da Associação Veredas da Estrela. “Queremos mostrar que qualquer pessoa pode contribuir para esse conhecimento. Basta caminhar devagar, observar com atenção e registar aquilo que encontra. Esperamos que este seja apenas o início de um inventário vivo, construído pela própria comunidade ao longo de vários anos.”

A primeira actividade, “Ao Anoitecer”, acontece já na noite de 31 de julho, às 20h30, e será orientada por Ricardo Brandão, coordenador do CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, de Gouveia. À medida que a luz desaparece, os participantes terão oportunidade de observar e escutar a fauna que desperta ao cair da noite, incluindo aves nocturnas, morcegos, borboletas nocturnas e outros habitantes da Serra da Estrela.

Saída de campo ao Soito das Veredas. Foto: Veredas da Estrela

A segunda saída de campo, “À Beira da Água”, decorrerá no dia 8 de agosto, às 09h00, sob orientação do biólogo Lucas Cezar, do Estrela Geopark. Durante uma caminhada pelas ribeiras de Figueiró da Serra, os participantes irão descobrir a diversidade de pequenos organismos que vivem entre pedras, plantas e fundos dos cursos de água, aprendendo também como estas espécies permitem avaliar a qualidade ecológica das ribeiras. A actividade, que se prevê durar três horas, é especialmente dirigida a famílias e crianças, mas está aberta a participantes de todas as idades.

O projecto De Monte a Monte – Territórios Resilientes reúne comunidades portuguesas e galegas em torno do restauro ecológico, da adaptação às alterações climáticas e da valorização da biodiversidade. É promovido pela Associação Veredas da Estrela, pela Fundação Montescola e pela Associação Verdegaia, com cofinanciamento do programa Erasmus+ da União Europeia.

Desde 2022, a Associação Veredas da Estrela desenvolve trabalho em Figueiró e Freixo da Serra para promover o restauro ecológico, a valorização da biodiversidade e o envolvimento da população no conhecimento e gestão do território.

A participação nas duas actividades é gratuita, mediante inscrição prévia, aqui.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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