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Como irão reagir as aves ao eclipse solar de 12 de agosto?

07.08.2026
leitura de 2 minutos
Mocho-galego (Athene noctua). Foto: Edd Deane/Wiki Commons

O eclipse solar será uma oportunidade única para observar a forma como a natureza responde a uma alteração tão súbita da luz. A Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife) convida a prestarmos atenção ao canto das aves, ao despertar dos insetos e às transformações da natureza nesses minutos.

No próximo dia 12 de agosto, a Península Ibérica será palco de um dos acontecimentos astronómicos mais importantes e singulares do século: um eclipse total do Sol, visível a partir de uma parte significativa do território.

Além da sua beleza, o eclipse solar será uma oportunidade para observar como a natureza reage a uma alteração tão repentina da luminosidade.

Depois da análise do eclipse total de 2024, observado na América do Norte, os investigadores documentaram mudanças no comportamento das aves. Muitas espécies deixaram de cantar e adotaram comportamentos típicos do anoitecer, reduzindo a atividade ou preparando-se para descansar. No entanto, a intensidade destas respostas variou consoante a espécie e o habitat.

A recolha de dados durante o eclipse é uma oportunidade para compreender melhor como as espécies respondem a este fenómeno.

“Em apenas alguns minutos ocorrerão três alterações ambientais capazes de desencadear respostas fisiológicas e comportamentais nos seres vivos: a diminuição da luminosidade, a descida da temperatura e a alteração temporária dos ritmos circadianos”, escreve a organização em comunicado.

“Estes sinais ambientais, que normalmente anunciam a chegada do entardecer, podem levar as aves a interromper a sua atividade vocal durante a fase de escuridão”, acrescenta a organização. “Quando a luz regressa, poderão interpretar esse momento como o início de uma nova madrugada, retomando o característico coro do amanhecer. Este comportamento está intimamente ligado ao seu relógio biológico.”

Também foram descritos casos em que aves noturnas, como mochos e corujas, começaram a vocalizar durante o período de escuridão, um comportamento habitual ao anoitecer.

Além disso, recorda a SEO/Birdlife, “o mês de agosto coincide com o início da migração pós-nupcial de numerosas espécies, pelo que se acredita que o eclipse possa influenciar os indivíduos que estejam em pleno movimento migratório”. No entanto, até ao momento não há estudos científicos que demonstrem alterações na direção ou na duração da migração atribuíveis a um eclipse.

A sequência de eclipses prevista para 12 de agosto de 2026, 2 de agosto de 2027 e 26 de janeiro de 2028 transformará Espanha num verdadeiro laboratório vivo, oferecendo uma oportunidade única para estudar a resposta da biodiversidade a estes fenómenos astronómicos.

Com esse objetivo, um grupo de investigadores do Museu Nacional de Ciências Naturais e da Universidade de Sevilha lançou o projeto Ecoeclipse, uma iniciativa de ciência cidadã que quer analisar de que forma a diminuição da luminosidade durante os próximos eclipses solares afeta o comportamento acústico e as paisagens sonoras das aves e dos morcegos.

Para colaborar, qualquer pessoa pode gravar os sons do ambiente que a rodeia durante o eclipse, bem como nos dias anteriores e posteriores a cada evento.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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