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Bolívia: Redescoberta espécie de killifish que estava desaparecida há 20 anos

14.11.2025
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Moema claudiae. Foto: Heinz Arno Drawert e Thomas Otto Litz

Investigadores anunciaram o reaparecimento do Moema claudiae, um killifish sazonal que se pensava que estaria extinto, trazendo novas esperanças para a conservação deste peixe único.

Os killifish são pequenos peixes que habitam em charcos temporários e noutras zonas húmidas que só têm água durante uma parte do ano, uma vez que os ovos de muitas destas espécies conseguem sobreviver fora da água, durante algum tempo. No mundo, são conhecidas centenas de espécies deste grupo.

O Moema claudiae tinha sido observado pela última vez há mais de 20 anos, num local agora destruído e ocupado por culturas, na Bolívia. Desde então não tinham sido encontrados outros peixes da mesma espécie, apesar de várias buscas realizadas, e este killifish tinha sido classificado como Criticamente em Perigo e Possivelmente Extinto.

Numa expedição recente, no entanto, os investigadores Heinz Arno Drawert e Thomas Otto Litz localizaram uma população sobrevivente num pequeno charco temporário, numa parcela de floresta rodeada por campos agrícolas, revela uma nota de imprensa sobre esta descoberta. O resultado foi publicado esta semana na Nature Conservation.

Habitat do Moema claudiae. Foto: Heinz Arno Drawert e Thomas Otto Litz

Os cientistas conseguiram fotografar estes peixes e estudar o seu comportamento e várias características que até agora eram desconhecidas. “Para mim, foi especial ter redescoberto o Moema claudiae. Mostrou-me que temos agora a oportunidade de preservar esta espécie a natureza. Estou ainda mais satisfeito porque o professor Wilson Costa baptizou esta espécie em honra da sua mulher Cláudia, e eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para lhe agradecer por décadas de colaboração e apoio.”

O local do achado continha não só esta espécie rara, mas outras seis espécies de killfish, tornando esta area a mais geneticamente rica em espécies deste grupo até hoje encontrada a nível mundial. A ecologia desta região, situada onde a floresta da Amazónia se encontra com as savanas de Llanos de Moxos, parece suportar esta diversidade, mas a rápida desflorestação e a expansão agrícola estão a ameaçar fortemente estes habitats.

Moema claudiae. Foto: Heinz Arno Drawert e Thomas Otto Litz

Nos últimos 25 anos, quase 10 milhões de hectares de floresta foram perdidos na Bolívia, incluindo habitats de zonas húmidas. A desflorestação acelerou de forma dramática nos anos mais recentes, levantando preocupações sérias sobre o futuro de muitas espécies únicas e de ecossistemas, alertam os investigadores.

Heinz Arno Drawert. Foto: Heinz Arno Drawert e Thomas Otto Litz

“Sem uma ação rápida e eficaz para impedir a expansão irracional das áreas agrícolas nas terras baixas da Bolívia, corremos o risco de perder alguns dos mais importantes ecossistemas terrestres e aquáticos do mundo, e com eles os bens e serviços insubstituíveis que os mesmos fornecem”, alertou Heinz Drawert, co-autor do mesmo artigo. “Não podemos esperar alcançar um verdadeiro bem-estar social e económico, a não ser que mantenhamos a funcionalidade dos ecossistemas que o sustêm.”


Inês Sequeira

Trabalhei 14 anos na secção de Economia do jornal Público. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, em 2015 ajudei a fundar a Wilder, onde me sinto como “peixe na água”. Escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, ciência, conservação, políticas ambientais e naturalistas. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.

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