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Aprenda a distinguir as duas espécies nativas de cágados

23.07.2026
leitura de 2 minutos
Cágado-de-carapaça-estriada. Foto: Pedro Alves

Com a ajuda do biólogo Pedro Alves, da associação Palombar, aprenda a identificar os dois cágados autóctones de Portugal: o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) e o cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa).

Para conseguirmos distinguir estes dois cágados devemos olhar com atenção para algumas características simples, como a forma da carapaça e as cores e padrões do corpo.

Cágado-de-carapaça-estriada. Foto: Pedro Alves
Cágado-mediterrânico. Foto: Bouke ten Cate/WikiCommons

Forma da carapaça: A carapaça do cágado-de-carapaça-estriada é arredondada e lisa (animais mais jovens podem ter quilha vertebral); a do cágado-mediterrânico é mais achatada.

Cores e padrões: o cágado-de-carapaça-estriada tem uma carapaça com estrias amarelas bem definidas sobre um fundo escuro que varia entre o castanho e o preto. A cabeça, patas e cauda são escuras com pintas amarelas dispersas.

Cágado-de-carapaça-estriada. Foto: Pedro Alves

Já o cágado-mediterrânico tem uma coloração castanho-olivácea a castanho-acinzentada. A cabeça, pescoço e patas têm listas longitudinais amarelas ou laranjas, que tendem a desaparecer com a idade. A carapaça pode adquirir um aspeto irregular e rugoso, por vezes com escamas destacadas, característica que está na origem do nome científico leprosa.

Cágados-mediterrânicos. Foto: Bernard Dupont/WikiCommons

Tamanho: o cágado-de-carapaça-estriada raramente ultrapassa os 16 centímetros de comprimento reto de carapaça. Já o cágado-mediterrânico é consideravelmente maior, podendo atingir os 24 centímetros. Como curiosidade importa referir que este cágado é a maior espécie de tartaruga de água doce autóctone da Península Ibérica.

Em ambas as espécies, as fêmeas atingem maiores dimensões do que os machos.

Em termos práticos, o cágado-de-carapaça-estriada caracteriza-se por uma carapaça redonda e lisa, com estrias amarelas bem definidas e pele pontilhada de amarelo, enquanto o cágado-mediterrânico apresenta uma carapaça mais achatada e alongada, de aspeto rugoso, e listas amarelas ou laranjas na cabeça, pescoço e patas, que tendem a desaparecer com a idade.

Além destas características físicas, sabermos onde ocorrem estas espécies pode ser uma excelente ajuda.

Em Portugal, o cágado-de-carapaça-estriada tem uma distribuição fragmentada, sendo mais comum a sul do rio Tejo. A espécie ocorre principalmente nas zonas raianas da Beira Interior e do Alto Alentejo, na bacia do rio Guadiana, no Sudoeste Alentejano, na Costa Vicentina e na região costeira central do Algarve. A norte do rio Tejo, as observações são escassas e muito dispersas.

Já o cágado-mediterrânico é mais fácil de encontrar. Na verdade, a Península Ibérica é o principal núcleo populacional deste pequeno réptil na Europa. Em Portugal, o cágado-mediterrânico tem uma distribuição contínua a sul do rio Tejo, destacando-se o Parque Natural da Ria Formosa como o principal núcleo populacional da espécie. A norte, é mais comum na Beira Interior e em Trás-os-Montes, sendo que persistem ainda pequenos núcleos populacionais dispersos pelo litoral.


Para saber mais sobre estes e os outros nove cágados (exóticos) que ocorrem em Portugal pode aceder gratuitamente ao Guia de Campo dos Cágados de Portugal, lançado pela Palombar.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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