Com a ajuda do biólogo Pedro Alves, da associação Palombar, aprenda a identificar os dois cágados autóctones de Portugal: o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) e o cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa).
Para conseguirmos distinguir estes dois cágados devemos olhar com atenção para algumas características simples, como a forma da carapaça e as cores e padrões do corpo.


Forma da carapaça: A carapaça do cágado-de-carapaça-estriada é arredondada e lisa (animais mais jovens podem ter quilha vertebral); a do cágado-mediterrânico é mais achatada.
Cores e padrões: o cágado-de-carapaça-estriada tem uma carapaça com estrias amarelas bem definidas sobre um fundo escuro que varia entre o castanho e o preto. A cabeça, patas e cauda são escuras com pintas amarelas dispersas.

Já o cágado-mediterrânico tem uma coloração castanho-olivácea a castanho-acinzentada. A cabeça, pescoço e patas têm listas longitudinais amarelas ou laranjas, que tendem a desaparecer com a idade. A carapaça pode adquirir um aspeto irregular e rugoso, por vezes com escamas destacadas, característica que está na origem do nome científico leprosa.

Tamanho: o cágado-de-carapaça-estriada raramente ultrapassa os 16 centímetros de comprimento reto de carapaça. Já o cágado-mediterrânico é consideravelmente maior, podendo atingir os 24 centímetros. Como curiosidade importa referir que este cágado é a maior espécie de tartaruga de água doce autóctone da Península Ibérica.
Em ambas as espécies, as fêmeas atingem maiores dimensões do que os machos.
Em termos práticos, o cágado-de-carapaça-estriada caracteriza-se por uma carapaça redonda e lisa, com estrias amarelas bem definidas e pele pontilhada de amarelo, enquanto o cágado-mediterrânico apresenta uma carapaça mais achatada e alongada, de aspeto rugoso, e listas amarelas ou laranjas na cabeça, pescoço e patas, que tendem a desaparecer com a idade.
Além destas características físicas, sabermos onde ocorrem estas espécies pode ser uma excelente ajuda.
Em Portugal, o cágado-de-carapaça-estriada tem uma distribuição fragmentada, sendo mais comum a sul do rio Tejo. A espécie ocorre principalmente nas zonas raianas da Beira Interior e do Alto Alentejo, na bacia do rio Guadiana, no Sudoeste Alentejano, na Costa Vicentina e na região costeira central do Algarve. A norte do rio Tejo, as observações são escassas e muito dispersas.
Já o cágado-mediterrânico é mais fácil de encontrar. Na verdade, a Península Ibérica é o principal núcleo populacional deste pequeno réptil na Europa. Em Portugal, o cágado-mediterrânico tem uma distribuição contínua a sul do rio Tejo, destacando-se o Parque Natural da Ria Formosa como o principal núcleo populacional da espécie. A norte, é mais comum na Beira Interior e em Trás-os-Montes, sendo que persistem ainda pequenos núcleos populacionais dispersos pelo litoral.
Para saber mais sobre estes e os outros nove cágados (exóticos) que ocorrem em Portugal pode aceder gratuitamente ao Guia de Campo dos Cágados de Portugal, lançado pela Palombar.