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Águia-real devolvida à natureza em Idanha-a-Nova

27.11.2025
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Uma jovem águia-real (Aquila chrysaetos) recuperada no CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens, após ter sido encontrada debilitada na zona de Zebreira (Idanha-a-Nova), foi devolvida à natureza esta semana.

Com estatuto Em Perigo desde 2005 em Portugal, a águia-real é a maior águia da Península Ibérica. Tem uma envergadura de asas que pode chegar aos 2,25 metros e é uma predadora de topo. 

A águia-real devolvida agora à natureza chama-se Vitis e é uma fêmea juvenil do ano passado. Foi encontrada debilitada na localidade de Zebreira, Castelo Branco, tendo sido encaminhada para o CERAS.

Foto: CERAS

“Através da realização de análises sanguíneas, conseguimos perceber que apresentava uma infeção subclínica”, explicou o CERAS numa nota. “Suspeitamos que isto a tenha deixado um pouco prostrada e desorientada levando à sua captura. Ao longo do tratamento, observámos um aumento de energia e atividade na ave e após segundas análises percebemos que estava num óptimo caminho para a libertação”, acrescentou.

Segundo a Rewilding Portugal – organização que ajudou a devolver a ave à natureza, ao lado de Carlos Pacheco, responsável pela anilhagem e colocação do GPS – “a águia-real é uma das espécies mais ameaçadas da avifauna nacional e cada indivíduo tem um valor ecológico extraordinário”. “A libertação da Vitis representa, assim, um contributo relevante para a conservação da espécie no país.”

Agora, graças ao GPS, os especialistas podem acompanhar a evolução desta águia e os seus movimentos, conseguindo assim aprofundar o estudo da espécie e dos seus comportamentos naturais.

Foto: CERAS

A informação recolhida permitirá, por exemplo, “conhecer melhor as áreas vitais, os padrões de movimento e a ecologia alimentar da espécie — dados essenciais para orientar medidas de conservação e melhorar a gestão de habitats sensíveis”. “Estes conhecimentos terão igualmente utilidade em processos de ordenamento do território e na avaliação de riscos associados a infraestruturas como parques solares ou eólicos.”

A monitorização da Vitis será também um importante recurso para o projeto LIFE LUPI LYNX, liderado pela Rewilding Portugal, dado que a águia-real é uma das principais predadoras de coelho-bravo. “A localização de zonas com maior abundância desta espécie presa ajudará a identificar áreas prioritárias para reforços populacionais ou intervenções de melhoria de habitat que o projeto tem planeadas.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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