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Que espécie é esta: ninfa do percevejo Reduvius personatus

30.10.2026
leitura de 1 minuto

A leitora Fátima Correia pediu ajuda para saber a que espécie pertence um estranho bichinho que apareceu na sua casa em Abação, Guimarães, a 19 de outubro. José Manuel Grosso-Silva responde.

“Recorro à Wilder para identificar um pequeno insecto que apareceu na minha entrada da casa no dia 19 de Outubro. Nunca vi um similar. Teria sensivelmente 1 centímetro e era bastante achatado. Ele encontrava-se perto da caixa de areia de gato, pelo que não sei se esta aparência é a sua habitual, ou se ficou um pouco coberto por alguma dessa areia”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se de uma ninfa (juvenil) do percevejo Reduvius personatus.

Espécie identificada e texto por: José Manuel Grosso-Silva, responsável pelas colecções entomológicas do Museu de História Natural e da Ciência (Universidade do Porto).

O bichinho da foto é uma ninfa de percevejo Reduvius personatus, uma espécie predadora.

A cobertura do corpo não se deve ao local onde estava, é uma estratégia de camuflagem/defesa desta espécie (na fase juvenil, os adultos não fazem o mesmo).

Na verdade, a poeira faz parte da camuflagem, uma vez que estas ninfas se cobrem de poeira para passarem despercebidas. Dessa forma, protegem-se dos predadores e também podem apanhar de surpresa as suas presas. Por esse motivo, em inglês este inseto é conhecido como o “caçador mascarado” (‘masked hunter’, no original).

Tanto as ninfas como os adultos do percevejo Reduvius personatus alimentam-se de inúmeros bichinhos que vivem dentro das casas, incluindo piolhos, outros percevejos e bichas-cadelas. Esta espécie de percevejo não é considerada perigosa para os humanos e não transmite doenças. No entanto, pode picar se for mal manuseada por alguém.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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