O leitor Paulo Teixeira quis saber qual a espécie de morcego que encontrou na cave de uma casa desabitada perto de Mogadouro a 1 de fevereiro. Paulo Barros responde.
“Encontrei este morcego numa cave de uma casa desabitada numa aldeia perto de Mogadouro. É comum encontrar ‘famílias’ inteiras de morcegos a descansar durante o dia nesta escura cave, mas este é ligeiramente maior e tem duas ‘orelhas’ enormes”, escreveu o leitor à Wilder.

Trata-se de um morcego do género Plecotus sp.
Espécie identificada por: Paulo Barros, investigador na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e membro da equipa de investigadores para os morcegos do Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental.
Em Portugal Continental, o género Plecotus inclui duas espécies distintas: Plecotus austriacus (morcego-orelhudo-cinzento) e Plecotus auritus (morcego-orelhudo-castanho), sendo esta última ausente a sul de Castelo Branco.
Dada a localização do registo, pode ser qualquer uma das duas espécies. Embora P. austriacus, comparativamente com P. auritus, apresente uma maior associação a ambientes antrópicos, a observação em causa (realizada no interior de uma casa) pode sugerir P. austriacus.
No entanto, durante o período de hibernação (época a que corresponde esta observação), ambas as espécies utilizam regularmente estruturas antrópicas para refúgio, pelo que esta informação não é suficiente para discriminação específica.
A distinção entre P. auritus e P. austriacus é notoriamente difícil, sendo geralmente apenas possível com indivíduos em mão ou através de fotografias de elevada resolução que permitam observar alguns caracteres morfológicos diagnósticos.
Mesmo nestas condições, a identificação exige experiência na avaliação desses caracteres. Trata-se de um complexo de espécies crípticas, sendo frequente a recolha de amostras para análise genética com vista à confirmação específica.
Agora é a sua vez.
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