O leitor Ricardo Matos encontrou este insecto em outubro na região do Sardoal e pediu ajuda para saber qual a espécie. Albano Soares responde.
“Desta vez solicitava-vos a identificação de um inseto do tamanho de uma vespa grande, com abdómen às riscas largas. A fotografia, infelizmente, ficou com má focagem. Tentei fazer macro – o que foi um erro pois não pude aproximar o telemóvel suficientemente bem. Levantou voo a zunir forte, da inflorescência na enorme hera que tem sido muito visitada por abelhas comuns nestes dias. Este exemplar foi observado num final de tarde na Cabeça das Mós – Sardoal. Nunca tinha visto esta abelha? Ou vespa? Não parecia animal agressivo, ficou a observar-me por ter aproximado o telemóvel mas foi para outras flores da hera. Tamanho aproximado de 3 centímetros de comprimento do corpo, asas finas e dispostas praticamente em ângulo recto em relação à linha sagital do corpo.
Foi muito frustrante não poder focar bem, mas foi o possível”, escreveu o leitor à Wilder.

Trata-se de uma mosca das flores, a milésia-falso-vespão (Milesia crabroniformis).
Espécie identificada por: Albano Soares, Rede de Estações da Biodiversidade, Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.
“É a nossa maior mosca das flores, a Milesia crabroniformis, uma mosca ‘disfarçada’ de vespa”, explicou Albano Soares.
Esta mosca pode confundir-se com uma vespa. Mas difere pelo facto de só ter um par de asas, em vez de dois, e por ter os olhos mais globulares e as antenas mais curtas.
Estas moscas, conhecidas por moscas das flores, são grandes polinizadoras. Normalmente são encontradas junto a flores, das quais os adultos dependem para se alimentar do néctar e do pólen.
As larvas das moscas Syrphidae, que vivem em cavidades de árvores com água, podem alimentar-se de plantas e animais em decomposição – que assim também aceleram – e de afídios e de outros insectos que parasitam e sugam a seiva das plantas. Por isso, estas moscas são um importante meio ecológico de pragas agrícolas.
Agora é a sua vez.
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