A leitora Maria de Lurdes Ferreira fotografou estas plantas a 26 de março na zona de Vila Franca de Xira e quis saber de que espécie se trata. Carine Azevedo responde.
“No caminho ribeirinho entre Alhandra e Vila Franca de Xira fotografei a 26.03.2026 estas minúsculas plantas cuja flor parece uma íris; o caule não tem mais de 10 centímetros. Trata-se de uma zona que foi elevada em relação ao rio, a fim de constituir uma barreira às inundações da linha férrea, logo com terra vinda de outras paragens. Podem identificá-la?”, perguntou a leitora à Wilder.

Trata-se da espécie maios-pequenos (Moraea sisyrinchium).
Espécie identificada e texto por: Carine Azevedo, consultora na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas.
Diria que a planta observada nas fotografias é Moraea sisyrinchium (L.) Ker Gawl. (sin.: Gynandriris sisyrinchium), uma pequena espécie bulbosa da família Iridaceae, conhecida como maios-pequenos ou pé-de-burro.
Trata-se de uma planta nativa da região mediterrânica, que ocorre em Portugal sobretudo nas regiões do centro e sul do território continental, em locais abertos, secos e soalheiros, como prados, taludes e terrenos perturbados.
É uma planta herbácea perene, que cresce a partir de um bolbo subterrâneo.
Apresenta folhas lineares a lanceoladas, relativamente estreitas, mas mais rígidas e planas do que as de géneros semelhantes, emergindo diretamente da base.
A floração ocorre na primavera, geralmente entre fevereiro e abril. As flores são solitárias ou pouco numerosas, de aspeto delicado, com coloração variável entre o branco, amarelado ou lilás, apresentando frequentemente uma mancha central amarela ou alaranjada, o que lhes confere um aspeto semelhante ao de pequenas íris.
É também típico desta espécie apresentar flores efémeras, que abrem apenas durante algumas horas em dias de sol, podendo passar facilmente despercebidas. Após a floração, desenvolve-se um fruto seco do tipo cápsula, contendo várias sementes.
Agora é a sua vez.
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