A leitora Susana Luis encontrou este animal em Mafra em Julho e pediu para saber qual a espécie. Diogo Parrinha responde.
“Numa noite de Julho em Mafra, fui dar com o meu gato muito curioso com este animal. Encontrava-se a rastejar no pátio. Inicialmente pareceu-me uma minhoca gigantesca por causa do que me pareciam ser anéis no corpo. Foi difícil perceber onde estavam a cabeça e os olhos, o que aconteceu quando a vi em movimento. Será uma cobra? Isto porque se movia como uma, mas mais lenta. Felizmente consegui encontrar uma forma de a colocar num sítio seguro para ir à sua vida”, escreveu a leitora à Wilder.



Trata-se de uma cobra-cega ou licranço (Blanus cinereus).
Espécie identificada por: Diogo Parrinha, herpetólogo e aluno de doutoramento do BIOPOLIS/CIBIO.
“É uma cobra cega ou licranço, dependendo da zona do país (Blanus cinereus)”, respondeu Diogo Parrinha.
“Não é uma cobra, apesar do nome comum, mas sim um lagarto sem membros da família Amphisbaenidae. O nome comum em inglês, “worm lizard”, é mais apropriado dado ser um lagarto com hábitos fossoriais que raramente se vê à superfície.”
“São répteis ápodes de hábitos subterrâneos, completamente inofensivos”, respondeu Diogo Parrinha.
Esta espécie não produz qualquer veneno e é totalmente inofensiva.
Na horta ou em qualquer sistema natural, as cobras-cegas alimentam-se sobretudo de pequenos insectos como formigas ou larvas de outros insectos.
Esta espécie vive no solo em túneis escavados por si. Os túneis escavados por animais fossoriais evitam a compactação dos solos e são uma forma natural de aerificação do solo, o que permite a chegada de mais ar (particularmente azoto e oxigénio) às raízes das plantas. De salientar que um indivíduo sozinho não tem um impacto significativo, mas em conjunto com todas as outras espécies que escavam galerias no solo (minhocas, ralos, formigas, etc.) o impacto é mais significativo.
Este é um bom exemplo da importância de manter a diversidade das comunidades naturais e que beneficiam as actividades humanas.
Agora é a sua vez.
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